Sucesso da cadeia de valor do LNG de Moçambique dependente da implementação de políticas que promovam o conteúdo local

O Absa Bank Moçambique realizou, no passado dia 13 de Julho, o primeiro Webinar do The Absa E-Series, sobre a Cadeia de Valor da Indústria do Petróleo e Gás Sob o lema “Pulse of the Gas Value Chain in Mozambique”, o primeiro webinar contou com a participação do Director do Sector de Petróleo e Gás do Absa Bank Moçambique, Hermano Juvane e o Presidente da Aberdeen International Associates, Gordon McIntosh, num debate moderado pelo Chief of Staff do Absa Bank Moçambique, Ernesto Gove Jr. No evento, foi avaliado o impacto da Covid-19 na indústria de petróleo e gás, com o Presidente da Aberdeen a considerar o papel preponderante da comunicação, neste momento em que a cadeia de abastecimento no mundo inteiro está sob pressão, obrigando os principais actores da indústria a encontrarem formas de adaptar-se a um “novo normal”. Para Gordon McIntosh, apesar de a Covid-19 estar actualmente a representar um grande desafio, trará também oportunidades para alguns fornecedores, em momentos de contracção, que estarão a olhar para locais como Moçambique. “Estou bastante confiante de que os projectos de gás em Moçambique vão para frente. A cadeia de abastecimento internacional procurará vir para Moçambique, mas é necessário que haja uma forma de igualar uma cadeia de abastecimento no país e as jovens empresas que procuram entrar no sector de petróleo e gás com uma cadeia de abastecimento internacional”, aconselhou. Segundo McIntosh, com a situação da Covid, as empresas irão deparar-se com medidas preventivas relativamente ao local de trabalho, restrições de viagens e redução da procura global, pelo que o governo e as partes interessadas devem priorizar, em primeiro lugar, um sistema rigoroso e transparente de ordenamento do território e um plano estratégico de investimento em infra-estruturas. “Em segundo lugar, a estratégia económica e o plano de entrega, em que nos centraríamos no desenvolvimento do capital humano, através da educação e da formação e também da já mencionada cadeia de abastecimento local e, em terceiro lugar, um plano de investimento interno, que se concentraria em investidores internacionais e empresas não residentes em Moçambique, visto que algumas delas são necessárias para ajudar na execução do projecto” enumerou, ressalvando que o país deve procurar um potencial de joint-ventures com empresas locais. Por seu turno, o Director do Sector do Petróleo e Gás, Hermano Juvane, considera que o sucesso da cadeia de valor da exploração do Gás Natural Liquefeito em Moçambique depende da adopção de uma estratégia de localização adequada e do desenvolvimento do conteúdo local, com contratos justos e que beneficiem a economia de forma holística. “Olhando para o contexto de Moçambique, há muito debate em torno de entidades locais serem classificadas como entidades que são maioritariamente detidas por moçambicanos, que seriam também accionistas individuais, e há também objectivos em termos de metas de empregabilidade. Para além da negociação do contrato, a transparência e a avaliação são muito importantes. Não é suficiente negociar os contratos e publicá-los”, observou. Segundo Juvane, a observação destes elementos conduzirá a um desenvolvimento sustentável em toda a economia, evitando assim a imprecação dos recursos. “A imprecação dos recursos, em poucas palavras, é quando existe uma grande dependência dos recursos naturais ou do sector extractivo. Assim, no contexto moçambicano, significaria uma dependência demasiado elevada do sector do gás para a contribuição das receitas governamentais, para a contribuição das exportações e também para a contribuição global do PIB. Isso significa que se houver algum choque no sector do petróleo e gás, terá um imenso impacto em todo o desenvolvimento económico de Moçambique” realçou. Este evento visou, entre outros objectivos, fornecer informações sobre o mercado de Petróleo e Gás a possíveis Clientes e Fornecedores do sector; destacar o impacto da Covid-19, especificamente nos projectos locais de LNG e debater sobre possíveis riscos para os fornecedores locais e estrangeiros da cadeia de valor. O evento pretendeu, igualmente, elevar o nível de preparação de Moçambique para fazer face aos desafios que o mundo enfrenta na indústria extractiva, dada a novidade do sector no país, sendo crucial abordar todos os riscos da cadeia de suprimentos, que são importantes na determinação do sucesso dos projectos da área.

Compartilhar:

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Newsletter

Ao clicar no botão Inscrever-se, confirma que leu a nossa Política de Privacidade.
PUBLICIDADE