Moçambique Aposta no Gás para Impulsionar Indústria com Nova Parceria Estatal

Moçambique reforça a sua aposta na industrialização com a criação de uma nova entidade dedicada à logística de gás natural, numa iniciativa que junta algumas das principais empresas públicas do país. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a Electricidade de Moçambique (EDM), os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) formalizaram a constituição da Serviços de Logística Integrada de Gás Natural de Moçambique, S.A. (SLIGM).

Segundo o comunicado conjunto, as quatro entidades “assinaram um Acordo de Accionistas para constituição da sociedade e o Acordo de Desenvolvimento Conjunto (JDA)”, estabelecendo as bases legais e operacionais para um projecto considerado estruturante para o país.

No centro da iniciativa está o desenvolvimento de uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU), que será instalada no norte da província de Inhambane, com apoio logístico no Porto da Beira. De acordo com o documento, o projecto “permitirá o transporte e incremento no fornecimento de gás ao mercado doméstico e regional”.

Segurança energética e industrialização

A criação da SLIGM surge como resposta directa aos desafios de acesso e distribuição de energia no país. O comunicado destaca que as empresas públicas “unem […] capacidades técnicas, financeiras e operacionais para garantir a viabilidade do Projecto e assegurar o seu impacto, a longo prazo”.

Além de reforçar o fornecimento interno, o projecto visa reduzir a dependência de importações energéticas. Nesse sentido, o documento sublinha que a iniciativa deverá “reduzir, de forma significativa, a dependência de importações, fomentando a monetização do gás doméstico”, com especial enfoque nos recursos da Bacia do Rovuma.

Integração de infra-estruturas e visão estratégica

O projecto enquadra-se numa estratégia governamental mais ampla, após a aprovação, em 2025, da concessão para infra-estruturas de gás no Inhassoro e na Beira. Segundo o comunicado, esta decisão estabelece as bases para a “recepção, armazenamento, regaseificação e transporte de gás natural” no país.

Para os accionistas, a nova sociedade representa mais do que um investimento energético. O documento enfatiza que a iniciativa “demonstra capacidade e comprometimento de instituições nacionais em unirem esforços em torno de um Projecto estruturante”, com impacto directo na segurança energética.

Impacto económico esperado

A expectativa é de que o projecto tenha um efeito multiplicador na economia. Conforme refere o comunicado, a exploração dos recursos naturais deverá “traduzir-se na melhoria da qualidade de vida dos moçambicanos”, ao impulsionar sectores industriais e criar novas oportunidades de negócio.

Num país com vastas reservas de gás natural ainda subaproveitadas no mercado interno, esta iniciativa pode representar uma mudança de paradigma: transformar o gás de um recurso essencialmente exportador para um motor efectivo de desenvolvimento interno.

Ainda assim, a concretização dos objectivos dependerá da capacidade de execução, financiamento e coordenação entre as entidades envolvidas — factores que serão determinantes para transformar ambição estratégica em resultados concretos.

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