O fornecimento de combustíveis líquidos em Moçambique continua estável, mesmo perante as crescentes tensões geopolíticas internacionais associadas ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
A garantia foi dada pelo Presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa Júnior, que assegurou que os principais terminais portuários do país — Matola, Beira, Nacala e Pemba — continuam a operar sem restrições na recepção de navios com gasóleo, gasolina e Jet Fuel.
Segundo dados avançados pelo responsável, em entrevista à Televisão de Moçambique, só o porto da Matola movimentou, entre janeiro e abril deste ano, cerca de 200 milhões de litros de combustíveis destinados ao consumo interno. O desempenho reflecte a capacidade logística instalada e a estratégia de diversificação das origens de importação, que actualmente inclui mercados da Ásia e das Américas, reduzindo a dependência de rotas mais expostas ao risco geopolítico.
Ainda assim, o cenário interno revela fragilidades que podem comprometer a sustentabilidade do abastecimento. O sector enfrenta constrangimentos estruturais, com destaque para a dificuldade de liquidação de facturas em tempo útil devido à escassez de divisas, sobretudo o dólar norte-americano. Esta limitação tem vindo a pressionar operadores logísticos e importadores, dificultando a continuidade regular das operações.
Outro ponto de preocupação prende-se com a fiscalização do circuito de distribuição. Autoridades suspeitam que parte dos combustíveis importados esteja a ser desviada para reexportação ilegal em países vizinhos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), aproveitando a subida dos preços nesses mercados. A prática, além de ilegal, representa um risco directo ao abastecimento interno, numa altura em que o país já enfrenta limitações cambiais.
Perante este contexto, especialistas defendem o reforço dos mecanismos de controlo e monitoria, de modo a assegurar que os combustíveis importados — adquiridos com elevado custo em divisas — sejam efectivamente canalizados para o mercado nacional, garantindo a estabilidade energética e evitando disrupções no funcionamento da economia.












