Investimos para o benefício do povo

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O embaixador da República Popular da China em Moçambique, Su Jian, afirma que a lógica da cooperação com o nosso país é o “win-win”, e garante que os moçambicanos estão a beneficiar do impacto dos projectos de investimento deste país amigo nas várias áreas.

A cooperação entre Moçambique e a China começou logo depois da independência nacional, em 1975. Quais são as linhas de força desta relação? E como é que a China tem influenciado o desenvolvimento do país?

Entre Moçambique e China há uma amizade tradicional. São parceiros estratégicos de cooperação e há uma confiança política mútua. Cooperamos em várias áreas, desde infra-estruturas, energia, agricultura e pescas, manufactura, transporte, comunicações, turismo, cultura, imobiliária e comércio. Na verdade, a China é um dos principais parceiros comerciais de Moçambique e o maior investidor estrangeiro.

A cooperação, a assistência técnica e o financiamento da China para Moçambique visam, sobretudo, criar o bem-estar social, por isso apostamos nas infra-estruturas e nos sectores produtivos. Mas também contribuímos bastante para a melhoria do ambiente de negócios.

Nos últimos anos, Moçambique tem atravessado algumas dificuldades e hoje, mais do que nunca, precisa de parceiros para avançar com programas e projectos que não podem esperar. Qual tem sido o papel da China neste contexto?

Perante as dificuldades dos últimos anos, o governo chinês decidiu aumentar a assistência ao país e perdoou parcialmente a dívida de Moçambique para com a China. Incentivámos as empresas chinesas a aumentarem o seu investimento no país e procuramos diversificar a cooperação e o financiamento. Ao mesmo tempo, decidimos, em conjunto, promover a industrialização. O objectivo é ajudar Moçambique a transformar o seu potencial de recursos naturais e humanos num activo importante para o desenvolvimento económico e que beneficie o povo.

A China tem privilegiado também a capacitação do capital humano. Para o efeito, garante financiamentos para a construção de várias escolas de formação técnico-profissional e estamos envolvidos nos projectos de ensino à distância.

Anualmente, temos disponibilizado centenas de vagas para formação de moçambicanos na China. Neste momento, há mais de 500 estudantes no nosso país, alguns a frequentar cursos relacionados com petróleo e gás.

Como é que avalia a forma como os moçambicanos e não só olham para os grandes projectos chineses em Moçambique, desde infra-estruturas até aos que estão ligados aos recursos naturais?

A construção de infra-estruturas e a exploração de recursos naturais são as áreas prioritárias para a cooperação sino-moçambicana, e tudo está a ser feito com o objectivo de garantir ganhos partilhados.

Na área de infra-estruturas, temos, em parceria com o Governo, a Estrada Circular de Maputo, a ponte Maputo-KaTembe, a Estrada Nacional N.º 6, o porto de pesca, na cidade da Beira, o aeroporto de Xai-Xai e o Centro Cultural Moçambique- -China. Já na área empresarial, as empresas chinesas estão a promover e vão realizar projectos rodoviários, ferroviários e instalações hídricas.

Trata-se de iniciativas que visam melhorar a rede de infra-estruturas, bem como reforçar o papel de Moçambique como corredor regional.

E na área dos recursos naturais, quais são os investimentos chineses em Moçambique?

Nesta área temos a terceira maior companhia mundial petrolífera, a CNPC, que assinou o documento de cooperação estratégica com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH). A CNPC tem uma participação de 20% na Área 4 da Bacia Rovuma e já investiu, no total, mais de cinco biliões de dólares americanos e investirá ainda mais fundos no futuro. Um consórcio bancário chinês facultou financiamento à Área 4 e a sua contribuição representa mais de um terço do financiamento total da primeira fase do projecto.

A China é um dos maiores financiadores dos projectos de desenvolvimento de Moçambique. Como é que a parte chinesa pode garantir a sustentabilidade da cooperação e financiamento entre os dois países?

Na minha opinião, qualquer país do mundo precisa de grande volume de capital na fase de decolagem económica e na fase inicial de industrialização. Damos apoio financeiro a Moçambique com base na sua vontade e na necessidade do seu desenvolvimento. O financiamento chinês concentra-se essencialmente nas áreas de infra-estruturas, serviços públicos e projectos produtivos.

A China e os países africanos têm experiências semelhantes de serem economicamente controlados e de serem tratados de forma injusta. Por isso, nunca fizemos cooperação de financiamento sino-moçambicana com as condições políticas prévias.

Contudo, segundo regras de marcado, o financiamento da China para Moçambique resulta também de estudos de viabilidade e da avaliação sobre a solução económica e comercial, no sentido de garantir que cada projecto seja um sucesso no mercado com os seus devidos efeitos económicos e sociais.

Por exemplo, quando analisamos a possibilidade de conceder o empréstimo concessional para um projecto, a instituição financeira chinesa envia a sua equipa técnica para recolher dados técnicos sobre o volume de transporte por minuto e os tipos de viaturas que passam pela rodovia. O objectivo é garantir que o projecto tenha capacidade de reembolso do investimento e não servir para agravar o endividamento do país.

O governo Chinês incentiva ainda as empresas chinesas a realizarem projectos segundo o modelo integrado de construção e operação, quer dizer, não só construir o projecto, mas também participar na operação do projecto, no sentido de garantir o desenvolvimento sustentável do mesmo.

Actualmente, algumas empresas chinesas estão a estudar com a parte moçambicana a possibilidade de parcerias nos novos projectos de cooperação bilateral. Além disso, para conseguir a diversificação das formas de financiamento, a parte chinesa incentiva as suas empresas a estudarem a possibilidade de cooperação com os modelos de PPP (Parceria Público-Privada), BOT (Build-Operate-Transfer), entre outros.

Como é que as empresas moçambicanas podem participar e ser beneficiadas com todas estas operações?

Na verdade, as empresas moçambicanas já participam, de diversas formas. Por exemplo no processo de implementação dos projectos de cooperação sino-moçambicana. Há subempreiteiros dos projectos, fornecedores de serviços judiciais, financeiros, logísticos, tradução, recursos humanos e segurança. Há também fornecedores de materiais de construção, equipamentos, viaturas, habitação e escritórios.

Para a construção da ponte Maputo-KaTembe, por exemplo, para satisfazer a grande necessidade de cimento de boa qualidade, uma fábrica de cimento moçambicana aumentou até mais uma linha de produção. Nos últimos anos, constatam-se algumas “joint-ventures” sino-moçambicanas. Pode-se dizer que a cooperação bilateral ajuda o crescimento das empresas locais e contribui muito para a disponibilidade de mais técnicos e operários qualificados de que a industrialização do país precisa.

Aliás, hoje em dia, já é normal que as empresas chinesas façam parceria com as empresas estrangeiras em Moçambique. Actualmente, as empresas chinesas estão a realizar e promover junto com as empresas estrangeiras os projectos de indústria, agricultura e exploração de recursos. Na ponte Maputo-KaTembe, a supervisão é feita por uma empresa alemã, por exemplo.

1 comentário
  1. […] to the West.  Illustrating this last point, China’s ambassador to Mozambique declared to a local business magazine:  “China and the African countries have had similar experiences of being economically controlled […]

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