Desaceleração do crescimento global aumenta risco de declínio de economias em desenvolvimento

“O crescimento global deve desacelerar até 2023, aumentando o risco de um declínio rápido e indesejado nas economias em desenvolvimento”. A conclusão é do relatório denominado “Perspectivas Económicas Globais”, do Banco Mundial, que aponta a eclosão de novas variantes da Covid-19, o aumento da inflação, do endividamento e da desigualdade de renda como alguns dos factores que colocam em risco a recuperação de economias emergentes e em desenvolvimento. Na África Subsariana prevê-se que haja um aumento ligeiro de 3,6%, em 2022, para 3,8%, em 2023.

Quase 2pp de desaceleração em 2 anos

De acordo com uma publicação do Banco Mundial, divulgado no seu website, o crescimento global deve sofrer uma desaceleração acentuada de quase 2pp em 2 anos.

“De 5.5% em 2021 para 4.1% em 2022 e 3.2% em 2023, conforme a demanda reprimida se dissipe e o apoio fiscal e monetário seja reduzido em todo o mundo”, lê-se.

Além dos já citados factores, a mesma publicação refere que “os persistentes gargalos na cadeia de suprimentos e as pressões inflacionárias, além das elevadas vulnerabilidades financeiras em grande parte do mundo, podem aumentar o risco de um rápido declínio no crescimento económico”.

Para David Malpass, presidente do Grupo Banco Mundial, “o aumento da desigualdade e os desafios relacionados com a segurança são especialmente prejudiciais para os países em desenvolvimento”. No seu entender, para que mais países consigam encontrar soluções de crescimento favorável, são necessárias “acções internacionais coordenadas e um conjunto abrangente de políticas nacionais como resposta”. Com velocidades de recuperação diferentes, os dados do Banco Mundial indicam que, até 2023, todas as economias avançadas já terão recuperado, “enquanto os resultados nas economias emergentes e em desenvolvimento permanecerão 4% abaixo das tendências anteriores à pandemia”.

Inflação restringe política monetária

Evidências avançadas pelo Banco Mundial indicam que a inflação crescente, que afecta duramente os trabalhadores de baixa renda — está a restringir a política monetária em todo o mundo.

“Muitas economias emergentes e em desenvolvimento estão a eliminar as políticas de apoio para conter as pressões inflacionárias bem antes de atingir a recuperação”, explica o Banco Mundial. A actuação das entidades competentes irá, sobremaneira, determinar o destino da economia global.

Nas palavras de Mari Pangestu, directora executiva de Parcerias e Políticas de Desenvolvimento do Banco Mundial, “as escolhas feitas pelos formuladores de políticas públicas nos próximos anos irão decidir o rumo da próxima década”. “A maior prioridade deve ser garantir a distribuição de vacinas de maneira mais ampla e igualitária para que a pandemia seja controlada. Mas enfrentar as reversões nos avanços do desenvolvimento, tais como o aumento da desigualdade, exigirá apoio contínuo”, explicou.

O que fazer em tempos de dívida elevada? “A cooperação global será essencial para auxiliar na expansão dos recursos financeiros das economias em desenvolvimento a fim de que possam alcançar um desenvolvimento verde, resiliente e inclusivo”, defendeu a directora executiva.

Ómicron fragiliza crescimento das economias da África Subsariana

Embora a produção na África Subsariana (ASS) tenha crescido cerca de 3,5% em 2021, impulsionada por uma recuperação nos preços das mercadorias e um abrandamento das restrições sociais, a recuperação continua frágil e insuficiente para reverter o aumento da pobreza.

“Persiste a ameaça de surtos recorrentes da Covid-19”, justifica o estudo. Durante as últimas semanas de 2021, mais de 70 por cento dos países da ASS comunicaram um aumento de pelo menos 50% de novos casos de Covid-19, sendo que os sectores dos serviços, turismo e manufactura foram os mais afectados. “Perdas sustentadas de rendimentos do trabalho e uma elevada inflação impediram uma recuperação das despesas dos consumidores”, explica a publicação. Além dos efeitos da pandemia, o Banco Mundial explica que “a crescente agitação social, insegurança e conflitos civis, especialmente na região do Sahel (Burkina Faso, Chade, nordeste da Nigéria, Níger, Mali e Mauritânia) e na Etiópia, levaram a uma redução nas despesas de investimento”.

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