Tzu Chi capacita 500 famílias em Nampula para construção de casas resilientes

A Fundação de Caridade Tzu Chi concluiu a primeira fase do Projecto de Habitação Resiliente e Empoderamento Económico na Ilha de Moçambique, província de Nampula, com a capacitação de membros de 500 famílias em técnicas de construção de habitações resilientes utilizando materiais acessíveis localmente.

A conclusão da fase de formação será assinalada esta quarta-feira, 16 de Setembro, com a entrega oficial da primeira casa modelo construída no âmbito da iniciativa, que pretende dotar as comunidades de conhecimentos técnicos para construir habitações mais resistentes aos efeitos das intempéries.

“Conseguimos chegar ao fim da primeira fase do projecto: a capacitação. Há, no entanto, ainda um longo caminho por percorrer, que é agora o processo de construção das próprias casas. Nossa ambição é garantir que as comunidades tenham habilidades técnicas e científicas na construção de casas fortes para evitar o sofrimento em épocas chuvosas”, explicou Tai-Lin Tsai, instituidora da Tzu Chi Moçambique.

A iniciativa conta com o acompanhamento de arquitectos e técnicos de construção locais, numa abordagem que procura não apenas construir habitações, mas também transferir conhecimentos e criar capacidade técnica dentro das próprias comunidades. A expectativa é que as competências adquiridas pelos primeiros beneficiários sejam posteriormente replicadas por outras famílias.

Dos 500 agregados familiares abrangidos pela formação, cerca de 80% dos participantes são mulheres. O grupo faz parte de um universo de aproximadamente 2.700 famílias afectadas por intempéries na Ilha de Moçambique e que têm recebido assistência regular da Tzu Chi.

A componente habitacional está directamente ligada ao empoderamento económico dos beneficiários. Recentemente, as famílias receberam sementes de gergelim para a campanha agrícola em curso, sendo estimado que cada agregado possa obter, em média, cerca de 200 mil meticais com a comercialização da produção junto do empresariado local.

Parte das empresas já manifestou interesse em adquirir o gergelim produzido pelas comunidades, com destaque para a Agro-Food. A estratégia permitirá que os rendimentos gerados pela actividade agrícola contribuam para financiar a construção das novas habitações, cujo custo estimado é de 176 mil meticais por unidade.

“O papel dos nossos parceiros, que já manifestaram a sua abertura, é fundamental neste projecto. A cadeia de valor que se vai criar será o ponto mais importante para a sustentabilidade da iniciativa”, afirmou Nazira Alferdo, coordenadora do Projecto de Habitação Resiliente e Empoderamento Económico na Ilha de Moçambique.

A iniciativa incorpora igualmente uma componente de inclusão financeira. O Millennium bim irá promover sessões de educação financeira junto dos beneficiários e apoiar a abertura de contas bancárias, com o objectivo de incentivar uma gestão mais segura e responsável dos rendimentos provenientes da comercialização do gergelim.

A combinação entre produção agrícola, acesso ao mercado, educação financeira e construção resiliente pretende criar um modelo em que as próprias famílias tenham capacidade de gerar parte dos recursos necessários para melhorar as suas condições habitacionais, reduzindo a dependência de assistência externa.

Nos últimos três anos, a Tzu Chi Moçambique apoiou cerca de 16 mil famílias em Nampula com alimentos, capacitação e bens essenciais, sobretudo na sequência de ciclones e outros fenómenos climáticos extremos.

Estabelecida em Moçambique desde 2012, a fundação desenvolve projectos nas províncias de Maputo, Gaza, Sofala e Nampula, com intervenções nas áreas da educação, agricultura, saúde, habitação e assistência humanitária.

A organização, fundada em 1966 pela Venerável Mestre Cheng Yen, assinala este ano o seu 60.º aniversário e está presente em mais de 60 países. Com uma rede global de mais de 10 milhões de voluntários, a Tzu Chi tem como pilares a Educação, a Caridade, a Medicina e a Cultura Humanística.

Em Moçambique, onde conta com cerca de 10 mil voluntários, a fundação tem concentrado parte significativa da sua intervenção no apoio às comunidades vulneráveis e na resposta a situações de emergência provocadas pelas recorrentes calamidades naturais que afectam o país.

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