Cimentos de Moçambique investe USD 150 milhões para reforçar produção nacional

A Cimentos de Moçambique está a investir cerca de 150 milhões de dólares na modernização e expansão das suas unidades industriais de Nacala, Dondo e Matola, num plano que pretende aumentar a produção nacional de clínquer, reduzir a dependência de importações e reforçar a capacidade de resposta ao mercado interno.

O investimento ocorre numa altura em que a indústria cimenteira procura aumentar a produção local e diminuir a exposição às importações de clínquer, principal matéria-prima utilizada no fabrico de cimento. Os novos investimentos permitem reforçar a produção nas regiões Norte, Centro e Sul do País.

Um dos principais projectos é a modernização da fábrica de Nacala, em Nampula, que representou um investimento de 110 milhões de dólares. A unidade passou a contar com um novo forno de clínquer com capacidade para 3.000 toneladas por dia, elevando a capacidade anual da fábrica para cerca de 1,2 milhões de toneladas de cimento, contra aproximadamente 400 mil toneladas anteriormente.

A nova infraestrutura inclui sistemas de moagem e ensacamento, uma central própria de produção de energia, um cais marítimo e um navio dedicado, criando condições para melhorar a logística de distribuição no Norte e apoiar projectos de grande dimensão, incluindo os ligados ao gás natural na Bacia do Rovuma.

A entrada em funcionamento do novo forno permitiu também à empresa reduzir a dependência da importação de clínquer para abastecer a região Norte, passando a utilizar matéria-prima produzida localmente.

Na fábrica do Dondo, em Sofala, está em implementação uma nova linha de produção de clínquer, avaliada em cerca de 60 milhões de dólares, com capacidade prevista de 3.000 toneladas por dia.

Na Matola, província de Maputo, a empresa reabilitou um forno com capacidade para produzir cerca de 2.000 toneladas de clínquer por dia. O início dos comissionamentos destes equipamentos, no final de Agosto, acrescentou 5.000 toneladas diárias de capacidade de produção de clínquer entre Dondo e Matola.

Com a combinação das novas capacidades de Nacala, Dondo e Matola, a Cimentos de Moçambique pretende consolidar uma base produtiva nacional mais integrada, diminuindo a necessidade de aquisição de clínquer no exterior e contribuindo para a retenção de divisas no País.

Além do impacto sobre a capacidade industrial, os investimentos deverão gerar oportunidades ao longo da cadeia de valor, desde a construção e reabilitação das fábricas até à exploração de matérias-primas, logística e operação das unidades.

Em Nacala, por exemplo, a modernização da fábrica contribuiu para elevar significativamente o número de postos de trabalho directos e indirectos, enquanto a empresa afirma estar a privilegiar a contratação de mão-de-obra local, incluindo jovens.

A intervenção estende-se igualmente às pedreiras e ao fornecimento de matérias-primas. Em Mwanza, por exemplo, estão em curso trabalhos de remodelação da pedreira, envolvendo trabalhadores das comunidades locais.

Mais do que um aumento da produção de cimento, o investimento representa uma aposta na verticalização da cadeia produtiva, ao permitir que uma parte crescente do clínquer utilizado pela indústria seja produzido dentro de Moçambique.

A estratégia poderá contribuir para maior estabilidade no abastecimento do mercado, redução dos custos associados à importação da matéria-prima e fortalecimento da indústria nacional. Em paralelo, a infraestrutura logística criada em Nacala abre espaço para o aumento da cabotagem e para futuras exportações para mercados do Oceano Índico, incluindo Madagáscar e Comores.

Com unidades produtivas nas três regiões do País, a Cimentos de Moçambique procura, através deste ciclo de investimentos, posicionar a produção local como um dos pilares da sua competitividade e acompanhar a procura associada à construção, infraestruturas e grandes projectos industriais em Moçambique.

Compartilhar:

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Newsletter

Ao clicar no botão Inscrever-se, confirma que leu a nossa Política de Privacidade.
PUBLICIDADE