A empresa chinesa Lumira Moz Energy iniciou a construção de uma unidade industrial integrada para produção de equipamentos solares no Parque Industrial de Beluluane, província de Maputo, num investimento superior a 10 milhões de dólares apenas na primeira fase.
A construção da nova fábrica arrancou a 4 de Setembro e representa uma nova aposta na produção local de tecnologias de energia limpa, num momento em que Moçambique procura diversificar a sua base industrial e reduzir a dependência de equipamentos importados.
Implantada numa área de aproximadamente 1,6 hectares, a unidade será desenvolvida em duas fases e deverá integrar diferentes etapas da cadeia de produção fotovoltaica. O projecto contempla a produção de células fotovoltaicas, corte de precisão de wafers de silício e fabrico de módulos solares de elevada eficiência.
Embora a capacidade produtiva prevista ainda não tenha sido divulgada, a integração destas diferentes etapas poderá permitir que uma parcela maior do processo de fabricação de equipamentos solares seja realizada em Moçambique, criando oportunidades para o desenvolvimento de fornecedores, competências técnicas e serviços especializados associados à indústria de energia renovável.
O projecto é desenvolvido pela Lumira Moz Energy, empresa de capitais chineses que decidiu estabelecer operações no País. Durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra, o ministro da Economia, Basílio Muhate, considerou que o investimento está alinhado com a estratégia do Governo de diversificação económica e reforço da posição de Moçambique como plataforma industrial para produtos e tecnologias energéticas.
Para a província de Maputo, o investimento acrescenta uma nova actividade tecnológica à base industrial já instalada no Parque Industrial de Beluluane. Segundo dados divulgados pela MozParks, o parque ocupa cerca de 700 hectares, acolhe mais de 70 empresas e sustenta mais de 10 mil postos de trabalho directos, abrangendo sectores como manufactura, agro-processamento, tecnologia, logística e serviços industriais.
A localização de Beluluane é igualmente considerada estratégica devido ao acesso ao corredor da N4, aos portos de Maputo e Matola e aos mercados da África do Sul e Eswatini, factores que podem facilitar a entrada de matérias-primas e a distribuição de produtos para mercados regionais.
O director-geral da Lumira Moz Energy, Deng Junfeng, destacou as condições encontradas pela empresa para concretizar o projecto e considerou que a experiência poderá contribuir para atrair outras empresas chinesas interessadas em estabelecer operações em Moçambique.
O investimento surge também num contexto de crescente atenção à indústria solar em Moçambique. Em Julho, o Fundo de Energia (FUNAE) anunciou a intenção de transferir para o sector privado a gestão da Fábrica de Painéis Solares de Moçambique, igualmente localizada em Beluluane, depois de a unidade ter permanecido praticamente inactiva desde 2022 devido à perda de competitividade face à evolução tecnológica e à entrada de equipamentos importados, sobretudo da China.
A entrada de um novo projecto industrial de maior integração tecnológica poderá, assim, contribuir para reposicionar Moçambique na cadeia regional das energias renováveis, passando de um mercado essencialmente consumidor e importador de equipamentos solares para um espaço com capacidade crescente de produção e transformação.
Para além do impacto directo do investimento, a fábrica poderá criar novas oportunidades de transferência de tecnologia, formação de mão-de-obra especializada e desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento local, à medida que a indústria solar ganha espaço na estratégia energética e industrial do País.












