Bolsa de Valores fecha semana com capitalização de 241,2 mil milhões de meticais

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) encerrou a semana de 31 de Agosto a 04 de Setembro com uma recuperação significativa da capitalização bolsista, que atingiu 241,18 mil milhões de meticais, mais 1,90% face ao fecho da semana anterior. Apesar da valorização do mercado, a actividade de negociação manteve-se praticamente estável em termos acumulados, enquanto o índice de liquidez recuou.

O desempenho semanal evidencia, assim, um mercado com maior valor global, mas ainda com reduzida profundidade de negociação, sobretudo devido à forte concentração da capitalização no segmento obrigacionista. Este segmento representa cerca de 90,1% do rácio entre a capitalização bolsista e o PIB real de 2024, embora não tenha registado qualquer negociação efectiva durante a semana.

Capitalização aproxima-se dos 241 mil milhões de meticais

A capitalização bolsista passou de 236,69 mil milhões de meticais, em 28 de Agosto, para 241,18 mil milhões de meticais, em 04 de Setembro, correspondente a uma subida de 1,90%.

Durante a semana, o indicador apresentou alguma volatilidade. Depois de iniciar em 236,24 mil milhões de meticais, em 31 de Agosto, atingiu o mínimo de 234,84 mil milhões no dia 02 de Setembro. A partir daí, iniciou uma recuperação consistente, encerrando a semana no seu valor máximo, de 241,18 mil milhões de meticais.

Em termos homólogos, a evolução é ainda mais expressiva. Comparativamente ao fecho de 05 de Setembro de 2025, a capitalização aumentou 19,53%, de 201,78 mil milhões para 241,18 mil milhões de meticais.

O crescimento da capitalização, contudo, não foi acompanhado por um aumento proporcional da actividade de negociação. O relatório assinala que a expansão do valor de mercado esteve sobretudo associada ao peso estrutural do mercado obrigacionista.

Obrigações dominam a capitalização, mas acções concentram a negociação

O mercado obrigacionista continua a representar a maior parcela da capitalização da BVM. Do total de 241,18 mil milhões de meticais, cerca de 217,21 mil milhões correspondem ao segmento obrigacionista, enquanto o mercado accionista representa aproximadamente 23,97 mil milhões de meticais.

Esta estrutura revela um dos principais desafios do mercado de capitais moçambicano: embora a dívida tenha um peso dominante na capitalização, é o segmento accionista que suporta a actividade transaccional efectiva.

Durante a semana, foi ainda admitida à cotação uma nova emissão de Obrigações do Tesouro — OT 2026 Série 10 — enquanto a OT 2021 Série 7 foi excluída da cotação. O número total de emissões cotadas passou de 85 para 86.

Volume de negócios praticamente estagnado

Apesar da subida da capitalização, o volume acumulado de negócios registou uma variação marginal. O indicador passou de 5,64 mil milhões de meticais, em 28 de Agosto, para 5,64 mil milhões, em 04 de Setembro, correspondendo a um crescimento de apenas 0,03%.

Considerando apenas o período dentro da semana, o volume passou de 5.641,17 milhões de meticais, em 31 de Agosto, para 5.642,77 milhões de meticais, em 04 de Setembro.

No entanto, o relatório chama atenção para uma diferença importante: embora o volume acumulado tenha crescido apenas marginalmente, o volume financeiro negociado em acções praticamente duplicou face à semana anterior, sinalizando maior rotação financeira no segmento accionista.

Liquidez recua apesar da maior actividade accionista

O índice de liquidez (Turnover) passou de 2,383% para 2,340%, uma redução de 1,83%. Ao longo da semana, o indicador oscilou entre 2,340% e 2,402%.

A queda resulta essencialmente do facto de a capitalização bolsista ter crescido muito mais rapidamente do que o volume de negócios. O indicador permaneceu abaixo de 2,4% durante toda a semana, confirmando que a liquidez continua estruturalmente reduzida.

EMOSE lidera ganhos, TROP e HCB sofrem maiores perdas

No mercado accionista, a semana foi marcada por um comportamento misto. Dos cinco títulos negociados, três registaram valorizações e dois fecharam em queda.

A EMOSE destacou-se com uma valorização de 23,89%, passando de 11,30 para 14,00 meticais. Seguiram-se a CMH, com uma subida de 6,25%, e a CDM, que valorizou 4,99%.

No sentido contrário, a TROP sofreu a maior queda, de 20%, enquanto a HCB recuou 14,29%.

Evolução semanal das cotações

A EMOSE foi, portanto, a principal vencedora da semana, recuperando parte da forte desvalorização registada anteriormente. Já a HCB acumulou a segunda semana consecutiva de perdas, enquanto a TROP passou de uma situação de estabilidade na semana anterior para a maior desvalorização do período.

Acções concentram toda a negociação

Outro dado relevante é que, durante as cinco sessões analisadas, não houve negociação de obrigações. Todas as transacções realizadas incidiram sobre acções.

O maior volume financeiro ocorreu em 01 de Setembro, com 670,64 milhares de meticais, correspondentes a 6.564 acções. Já a maior quantidade de acções transaccionadas verificou-se em 04 de Setembro, com 171.848 acções, gerando um volume financeiro de 526,21 milhares de meticais.

No total, foram negociados cerca de 1,92 milhões de meticais em acções durante a semana, praticamente o dobro do volume financeiro registado na semana anterior.

Mercado mantém recuperação, mas profundidade continua limitada

A leitura integrada dos indicadores aponta para uma recuperação moderada do valor global do mercado, acompanhada por uma actividade accionista mais intensa, mas ainda insuficiente para alterar estruturalmente o nível de liquidez.

A capitalização cresceu 1,90%, acima dos 0,13% registados na semana anterior, atingindo um novo máximo de 241,18 mil milhões de meticais. Em contrapartida, o volume acumulado aumentou apenas 0,03% e o índice de liquidez caiu 1,83%.

O cenário revela, por isso, uma aparente contradição: o mercado vale mais, mas continua a ser pouco transaccionado. A ausência de negociação no segmento obrigacionista reforça esta característica, dado o peso que as obrigações assumem na capitalização total.

Perspectivas apontam para consolidação

Para as próximas semanas, o cenário-base da BVM aponta para a manutenção da capitalização bolsista em níveis próximos dos actuais, com um viés ligeiramente positivo. A evolução deverá, contudo, continuar dependente das cotações da HCB, CDM, CMH, EMOSE e TROP.

A sustentabilidade da recuperação da EMOSE será um dos principais factores a acompanhar, enquanto a TROP e a HCB permanecem sob pressão. No caso da HCB, a atenção é reforçada pelo facto de o título acumular duas semanas consecutivas de desvalorização.

A liquidez poderá melhorar caso seja retomada a negociação de obrigações e se mantenha a maior frequência das transacções accionistas. No entanto, a BVM alerta que operações concentradas ou de grande dimensão podem elevar temporariamente o turnover sem representar uma melhoria estrutural da liquidez.

O QUE ACOMPANHAR NAS PRÓXIMAS SEMANAS

  • Evolução da negociação de obrigações;
  • Sustentabilidade da valorização da EMOSE;
  • Comportamento da TROP e da HCB;
  • Continuidade da recuperação da CDM e da CMH;
  • Efeito da nova Obrigação do Tesouro sobre a capitalização e liquidez;
  • Evolução da política monetária, inflação e Prime Rate.

Conclusão

A semana terminou com sinais de recuperação moderada do mercado bolsista moçambicano, mas sem alteração significativa da sua estrutura. A capitalização atingiu 241,18 mil milhões de meticais, enquanto o volume acumulado permaneceu praticamente estável e a liquidez recuou.

No segmento accionista, a recuperação foi selectiva, liderada pela EMOSE, CDM e CMH, enquanto TROP e HCB registaram perdas expressivas. Ao mesmo tempo, a ausência de negociação de obrigações continua a limitar a profundidade do mercado.

A evolução futura deverá, por isso, ser avaliada não apenas pelo crescimento da capitalização, mas também pela consistência das valorizações accionistas, pela retoma da negociação de obrigações e pela capacidade da BVM de gerar maior frequência, profundidade e diversificação nas transacções.

Evolução da Capitalização bolsista

Capitalização bolsista por segmento

Distribuição da capitalização bolsista entre os segmentos obrigacionista e accionista em 04 de Setembro de 2026.

valor segmento
217,208.56 Obrigacionista
23,969.04 Accionista

 

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