A retoma dos megaprojectos de gás natural liquefeito (GNL) na península de Afungi, distrito de Palma, em Cabo Delgado, deverá impulsionar significativamente a actividade marítima na região. Projecções associadas às operações lideradas pela TotalEnergies e pela ExxonMobil apontam para a movimentação de até 400 navios por ano, entre navios-tanque de GNL e embarcações de transporte de condensado.
De acordo com dados avançados pela Lusa, as estimativas indicam que a Área 1, onde se desenvolve o projecto Mozambique LNG, deverá registar 160 navios-tanque de GNL e 10 navios de condensado anualmente. Já a Área 4, associada ao projecto Rovuma LNG, prevê 220 navios-tanque de GNL e 15 navios de condensado por ano. Em conjunto, o volume poderá atingir as 400 escalas anuais, posicionando Afungi como um dos mais relevantes hubs energéticos africanos.
A intensificação logística surge num contexto de reactivação progressiva dos investimentos, após a suspensão provocada pela instabilidade de segurança em Cabo Delgado. Recorde-se que, em 2021, foi declarada “força maior”, levando à interrupção das actividades no projecto Mozambique LNG. Em Outubro de 2024, o consórcio da Área 1 levantou essa cláusula, permitindo o reinício formal das operações do empreendimento liderado pela TotalEnergies, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Paralelamente, as concessionárias das Áreas 1 e 4 avançaram com uma manifestação de interesse para serviços marítimos, sinalizando a preparação operacional para o aumento esperado de tráfego. O procedimento prevê a contratação de cinco rebocadores com 80 toneladas de tracção estática, um barco-piloto e duas embarcações de apoio operacional, essenciais para garantir segurança e eficiência nas operações de carregamento e descarregamento.
Segundo o documento do concurso, as operadoras procuram assegurar “serviços seguros, eficientes e confiáveis” para o transporte marítimo de GNL, desde as unidades de produção até aos mercados internacionais. O reforço da frota de apoio reflecte a necessidade de infra-estrutura logística robusta para sustentar o escoamento da produção.
No caso da Área 4, liderada pela ExxonMobil, o projecto Rovuma LNG ainda aguarda a Decisão Final de Investimento (FID), actualmente prevista para 2026. Analistas do sector consideram que o avanço deste marco será determinante para consolidar o impacto económico esperado, tanto ao nível de receitas de exportação como na dinamização dos sectores de logística, serviços marítimos e cadeias de fornecimento.
Especialistas sublinham que, a confirmar-se o ritmo projectado, o aumento do tráfego marítimo em Afungi poderá traduzir-se em novas oportunidades para operadores logísticos, estaleiros, empresas de apoio offshore e sector portuário, reforçando o efeito multiplicador dos megaprojectos de gás na economia nacional.
O relançamento das operações em Afungi é acompanhado de perto pelos mercados, numa altura em que Moçambique procura afirmar-se como exportador estratégico de GNL e atrair fluxos adicionais de investimento directo estrangeiro.










