Moçambique poderá beneficiar de novos investimentos estrangeiros nas áreas de gás natural e formação profissional, na sequência dos contactos iniciados entre o Governo moçambicano e o Grupo Pamesa, um dos maiores conglomerados industriais da Europa no sector cerâmico.
A possibilidade de cooperação foi discutida durante um encontro realizado em Lisboa entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e Fernando Roig, presidente do Grupo Pamesa e do clube espanhol Villarreal CF. O empresário manifestou interesse em explorar oportunidades de investimento ligadas ao sector do Gás Natural Liquefeito (GNL) e em desenvolver iniciativas de formação e capacitação de jovens moçambicanos.
Segundo Fernando Roig, o encontro permitiu apresentar ao Chefe de Estado a dimensão empresarial do grupo espanhol, que se destaca como líder europeu na indústria cerâmica e possui uma forte presença internacional. As partes acordaram avançar, nas próximas semanas, com contactos técnicos para avaliar áreas concretas de cooperação.
O interesse do Grupo Pamesa surge num momento em que Moçambique reforça a sua posição como uma das principais fronteiras energéticas do mundo. O país possui mais de 180 biliões de pés cúbicos de reservas de gás natural e conta actualmente com quatro grandes projectos de GNL, incluindo Coral Sul FLNG, Coral Norte FLNG, Rovuma LNG e Mozambique LNG.
Paralelamente, o Governo tem apostado fortemente na formação de capital humano para responder às necessidades da indústria extractiva. Entre as iniciativas em curso destaca-se a construção do Centro Tecnológico de Moçambique, em Maputo, uma infra-estrutura avaliada em cerca de 40 milhões de dólares que será dedicada à formação de técnicos especializados para a indústria de petróleo e gás. O projecto resulta de uma parceria entre o Estado, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a ExxonMobil.
A aposta na qualificação da juventude tem sido identificada pelo Governo como um dos pilares para maximizar os benefícios dos megaprojectos energéticos. Em diferentes intervenções, o Presidente Daniel Chapo tem defendido uma maior participação do sector privado na formação técnica e na empregabilidade dos jovens moçambicanos, considerando o capital humano como um factor decisivo para a competitividade nacional.
Caso as intenções manifestadas pelo Grupo Pamesa se concretizem, Moçambique poderá ganhar um novo parceiro internacional num sector estratégico para a economia nacional, ao mesmo tempo que reforça os programas de capacitação profissional destinados a preparar a nova geração para as oportunidades criadas pela expansão da indústria do gás.
A potencial entrada do grupo espanhol representa ainda um sinal de confiança dos investidores europeus nas perspectivas de crescimento do país, especialmente num momento em que os projectos de GNL continuam a atrair atenção internacional e a posicionar Moçambique como um dos futuros líderes globais na produção e exportação de gás natural liquefeito.











