A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pretende estabelecer uma parceria com o sector privado da Tailândia para impulsionar a produção de arroz no país, com o objectivo de reduzir as importações e reforçar o abastecimento do mercado nacional e da região da África Austral.
A intenção foi manifestada esta sexta-feira, em Maputo, durante um encontro entre delegações empresariais dos dois países, no qual foram discutidas oportunidades de cooperação no sector agrícola, com destaque para a produção, mecanização e processamento de cereais.
O vice-presidente da CTA, Amâncio Gume, sublinhou que a Tailândia é reconhecida mundialmente pela sua experiência e tecnologia na produção de arroz, factores que podem contribuir para aumentar a produtividade agrícola em Moçambique.
“Imaginem o impacto se esta experiência fosse aplicada em Moçambique: produzir, processar localmente e abastecer não apenas o mercado interno, mas também a África Austral”, afirmou.
Segundo o dirigente, Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terras aráveis, além de recursos hídricos abundantes e condições climáticas que permitem várias colheitas por ano. Contudo, apenas uma pequena parte desse potencial está actualmente a ser aproveitada.
Por sua vez, Phong Mekthipphachai, representante do sector privado tailandês, manifestou abertura para apoiar iniciativas nacionais através da transferência de tecnologia, conhecimento técnico e soluções de mecanização agrícola.
“Moçambique tem muita terra agrícola e, com uma boa gestão, poderá produzir para o mercado local e até exportar para outros mercados”, afirmou.
Durante o encontro, foram igualmente identificadas oportunidades de investimento em áreas como irrigação, agro-processamento, pesca e aquacultura, floricultura, turismo e energias renováveis, sectores considerados estratégicos para a diversificação da economia moçambicana.
Amâncio Gume destacou ainda o potencial do país no agro-processamento, sobretudo no processamento de frutas tropicais, referindo que a introdução de novas tecnologias poderá ajudar a reduzir perdas agrícolas e aumentar o valor acrescentado da produção nacional.
A iniciativa surge num momento em que o Governo anunciou que as importações de cereais, especialmente arroz e trigo, passarão a ser realizadas com exclusividade através do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), medida que visa travar a saída ilegal de divisas, garantir o abastecimento e estabilizar os preços no mercado interno.
Face à decisão, o sector privado manifestou preocupação quanto ao impacto da medida nas suas operações e anunciou a criação de uma comissão especializada para dialogar com o Governo e encontrar soluções que garantam maior previsibilidade ao mercado.












