A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique vai entregar, a 14 de Agosto, as novas instalações do Instituto de Ciências de Saúde de Nhamatanda, na província de Sofala, num investimento estimado em 34 milhões de meticais. A infraestrutura representa a 19.ª instituição de ensino concluída no âmbito do programa de reconstrução lançado pela organização após o ciclone Idai, em 2019.
Construído em 11 meses, o novo edifício foi concebido para responder ao crescimento da procura por formação na área da saúde no distrito. A infraestrutura dispõe de quatro salas de aula, uma biblioteca e uma sala de informática, permitindo aumentar para mais de 200 o número de estudantes que poderão ser acolhidos, face aos cerca de 80 alunos por turno que eram acomodados nas quatro salas anteriormente existentes.
A primeira pedra da obra foi lançada a 19 de Agosto de 2025, tendo a construção sido concluída 11 meses depois. Para a Fundação Tzu Chi, o investimento combina duas áreas consideradas estratégicas na sua actuação: a saúde e a educação, com particular enfoque na formação técnica de jovens.
“Trata-se da conclusão de mais um capítulo importante dentro da missão que assumimos em 2019: apoiar a província de Sofala na reconstrução após o ciclone Idai”, afirmou Denise Tsai, fundadora da Tzu Chi Moçambique, acrescentando que a intervenção pretende devolver à população, sobretudo aos jovens, condições para continuar a investir na sua formação e no seu futuro.
A expansão do Instituto de Ciências de Saúde ocorre num contexto de crescente procura por formação técnico-profissional na área da saúde. Segundo Samuel António, director da instituição, o aumento do número de estudantes vinha pressionando a capacidade instalada, tornando necessária a ampliação das infraestruturas.
“Somos gratos à Tzu Chi. Esta infraestrutura vai aumentar a nossa capacidade institucional, num momento em que já se notava o aumento do número de estudantes nas nossas salas”, afirmou.
Além da entrega das novas instalações, a Tzu Chi vai realizar no mesmo dia uma feira de saúde, prevendo atender gratuitamente pelo menos mil pessoas. A iniciativa integra o programa de assistência médica da fundação e deverá disponibilizar serviços de rastreio e consultas, incluindo despiste de malária, hipertensão, diabetes, tuberculose e HIV/SIDA, medicina chinesa, avaliação nutricional, atendimento psicológico e consultas médicas gerais.
A feira incluirá ainda a distribuição gratuita de medicamentos, doação de sangue, sessões sobre alimentação saudável, saúde sexual e reprodutiva e outras actividades de sensibilização para a prevenção de doenças.
A intervenção em Nhamatanda insere-se num programa mais amplo de reconstrução de Sofala iniciado após a passagem do ciclone Idai, que devastou várias zonas da província em Março de 2019. Desde então, a Tzu Chi mobilizou recursos para a construção e reconstrução de infraestruturas sociais, habitação e assistência humanitária.
De acordo com os dados disponibilizados pela organização, o programa pós-Idai já permitiu concluir e entregar 3.132 casas e construir 23 instituições de ensino, das quais 19 já foram entregues. O pacote de intervenção inclui igualmente projectos nas áreas de saúde, educação e assistência de emergência.
Sofala tornou-se, assim, um dos principais centros de intervenção da Tzu Chi em Moçambique, ao abrigo de um memorando de entendimento celebrado com o Governo. A organização, que está presente em mais de 60 países, estabeleceu-se em Moçambique em 2012 e intensificou a sua intervenção no país após o ciclone Idai.
O modelo de actuação da fundação assenta em quatro pilares — caridade, medicina, educação e cultura humanística —, sendo financiado pelas contribuições da sua rede global de cerca de 10 milhões de voluntários.
Ao investir na expansão de instituições de ensino e na formação de técnicos de saúde, a organização procura não apenas responder às necessidades imediatas das comunidades afectadas por desastres naturais, mas também contribuir para a criação de capacidade humana e institucional, um dos factores considerados determinantes para a recuperação económica e social das regiões mais vulneráveis.











