A possível suspensão das operações da Mozal Aluminium Smelter, uma das maiores unidades industriais de Moçambique, está a gerar preocupação no sector económico. A accionista maioritária, a empresa mineira australiana South32, afirmou que a nova tarifa de energia proposta para alimentar a fundição torna a operação financeiramente “insustentável”, embora admita a possibilidade de reativar a unidade no futuro caso as condições mudem.
A fundição, localizada na cidade da Matola, depende fortemente do fornecimento de electricidade para a produção de alumínio, sendo este o principal custo da operação. Segundo a South32, o preço proposto para o novo contrato de fornecimento energético aproxima-se dos 100 dólares por megawatt-hora (MWh), um valor considerado elevado quando comparado com outras fundições no mercado internacional, que operam com custos inferiores a 50 dólares por MWh.
De acordo com a empresa, uma tarifa na ordem dos 51 dólares por MWh seria o limite máximo para manter a operação competitiva no mercado global do alumínio.
Contrato de energia no centro da decisão
O actual contrato de fornecimento de electricidade da Mozal aproxima-se do fim, e as negociações para um novo acordo têm sido determinantes para o futuro da unidade industrial. A electricidade utilizada pela fundição está associada à produção da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, uma das principais fontes de energia do país.
A empresa explicou que, nas condições actualmente propostas, a continuidade da produção não seria economicamente viável, razão pela qual poderá colocar a fundição em regime de “care and maintenance”, um estado de preservação das instalações que permite interromper temporariamente as operações sem encerrar definitivamente a unidade.
Impacto na economia nacional
A Mozal tem sido, desde a sua inauguração no início dos anos 2000, um dos maiores projectos industriais do país e um dos principais contribuintes para as exportações moçambicanas.
A eventual suspensão das operações poderá afectar milhares de empregos directos e indirectos, além de ter impacto em empresas ligadas à logística, manutenção industrial, transporte e serviços associados à cadeia de produção do alumínio.
Especialistas alertam que qualquer interrupção prolongada poderá ter reflexos no desempenho industrial e nas exportações do país, dado o peso da Mozal na economia nacional.
Reativação continua em aberto
Apesar do cenário de suspensão, a South32 sublinha que o encerramento não será definitivo. A empresa admite que a fundição poderá voltar a operar caso sejam alcançadas condições energéticas mais competitivas ou surjam novas soluções de fornecimento de electricidade.
Neste contexto, o Governo moçambicano tem acompanhado as negociações com vista a encontrar alternativas que permitam preservar uma das maiores infra-estruturas industriais do país.












