AMAL Reforça Industrialização Nacional com Nova Fábrica de Sacos de Cimento na Beira

A indústria transformadora moçambicana acaba de ganhar um novo impulso com a entrada em funcionamento de uma unidade de produção de sacos de cimento com válvula e fundo plano da AMAL Indústrias, na cidade da Beira. O investimento surge numa altura em que o país procura reduzir a dependência de importações, fortalecer a produção local e aumentar a competitividade dos sectores estratégicos da economia.

A nova fábrica está vocacionada para a produção de sacos de polipropileno de elevada resistência destinados à indústria cimenteira e aos fornecedores de materiais de construção. Embora o valor do investimento não tenha sido divulgado, a iniciativa representa um passo significativo na expansão da capacidade industrial nacional, sobretudo num segmento em que Moçambique continua a depender fortemente de fornecedores externos.

A AMAL, fundada em 2012 e integrada no Grupo Capital Foods, é actualmente uma das maiores fabricantes de embalagens industriais em tecido de polipropileno do país. A empresa produz embalagens para diversos sectores, incluindo agricultura, fertilizantes, açúcar, farinha, sal e cimento, servindo clientes em Moçambique e em mercados vizinhos.

A produção local de sacos de cimento surge como uma resposta à necessidade de reduzir a factura de importações de embalagens industriais. Actualmente, uma parcela significativa dos sacos utilizados pela indústria nacional continua a ser adquirida no exterior, representando custos logísticos elevados e pressão adicional sobre as reservas de divisas do país.

Segundo a empresa, a nova unidade permitirá encurtar as cadeias de abastecimento, garantir maior rapidez na entrega aos fabricantes de cimento e aumentar a fiabilidade do fornecimento de embalagens essenciais para o sector da construção.

“Este investimento vai além da produção de sacos de cimento. Trata-se de desenvolver a capacidade nacional, apoiar a substituição de importações, criar empregos e fortalecer a cadeia de abastecimento local da indústria moçambicana”, afirmou o director-geral da AMAL, Rui Cotrim.

A localização da unidade na cidade da Beira não é por acaso. A capital económica da região centro alberga um dos mais importantes corredores logísticos da África Austral, ligando os países do interior da região ao Oceano Índico através do Porto da Beira.

Esta posição estratégica permite à AMAL não apenas abastecer o mercado nacional, mas também expandir a sua presença nos países da SADC, onde a procura por materiais de construção e embalagens industriais continua a crescer.

A empresa destaca ainda que a nova plataforma industrial integra sistemas modernos de produção e controlo de qualidade, com capacidade para responder a encomendas em larga escala provenientes dos sectores da construção, agricultura e indústria.

O lançamento da nova linha de produção ocorre num contexto em que a procura por cimento e materiais de construção continua associada aos projectos de infra-estruturas públicas, habitação e investimentos privados em diferentes regiões do país.

Os sacos produzidos pela AMAL foram concebidos para responder às exigências específicas do sector, incluindo resistência ao rasgo, estabilidade durante o transporte, protecção contra humidade e eficiência nos processos de enchimento e fecho. Estas características contribuem para reduzir perdas de produto ao longo da cadeia logística e melhorar a apresentação comercial das marcas de cimento.

Além do impacto na substituição de importações, o projecto deverá gerar empregos directos e indirectos, promover a transferência de competências técnicas e dinamizar actividades económicas ligadas à cadeia de fornecimento industrial da região centro do país.

A aposta da AMAL enquadra-se numa tendência mais ampla de crescimento da indústria de embalagens em Moçambique, impulsionada pela expansão dos sectores da construção, agricultura e mineração. O reforço da produção local poderá contribuir para aumentar o conteúdo nacional nos processos industriais e reduzir vulnerabilidades associadas às interrupções das cadeias globais de abastecimento.

Com esta nova unidade, a AMAL reforça a sua posição no mercado nacional de embalagens industriais e junta-se ao conjunto de empresas que procuram transformar Moçambique de importador em produtor de soluções industriais de maior valor acrescentado.

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