Gerar Confiança no Mercado Moçambicano

A FUNDEC prepara-se para dar um passo estrutural no reforço do ecossistema empresarial moçambicano com o lançamento dos seus Índices de Competitividade Empresarial, concebidos segundo padrões técnicos internacionais, mas ancorados na realidade nacional. Em entrevista à Revista Negócios, Agostinho Vuma, Presidente da FUNDEC, explica como estes indicadores vêm colmatar uma lacuna histórica na medição do desempenho das empresas, reforçar a soberania técnica do País e criar uma nova cultura de rigor, transparência e previsibilidade para investidores, empresas e decisores públicos.

A FUNDEC prepara-se para lançar índices de competitividade empresarial inspirados nas práticas das grandes agências internacionais. Que lacunas estes indicadores vêm colmatar no ecossistema empresarial moçambicano e em que medida representam uma inovação estrutural para o País?

Os índices de competitividade empresarial da FUNDEC surgem para suprir uma lacuna estrutural no ecossistema económico nacional, que durante décadas careceu de instrumentos próprios, sistemáticos e tecnicamente consolidados para aferir o desempenho e a robustez competitiva das empresas moçambicanas.

Até ao presente, o mercado tem funcionado com base em dados dispersos, análises sectoriais fragmentadas ou avaliações externas que, sendo relevantes, nem sempre reflectiam integralmente as especificidades da nossa realidade económica e institucional. Ao introduzir indicadores produzidos internamente, com metodologia transparente e periodicidade definida, a FUNDEC estabelece uma referência nacional de excelência e rigor.

Trata-se de uma inovação estrutural porque cria uma arquitectura permanente de medição, promove uma cultura de desempenho e reforça a profissionalização do tecido empresarial. Mais do que medir, estes índices irão orientar, estimular e elevar os padrões de competitividade no País.

Durante muitos anos, até ao final da década de 1990, Moçambique beneficiou de avaliações externas, como o Doing Business, que permitiam aferir o ambiente de negócios. Que valor acrescentado traz o facto de, pela primeira vez, uma organização nacional assumir a produção sistemática destes índices?

O valor acrescentado é, antes de mais, institucional e estratégico. Quando uma organização nacional assume a responsabilidade de produzir índices desta natureza, o País dá um passo significativo no reforço da sua soberania técnica e da sua capacidade de auto-avaliação.

As avaliações internacionais desempenharam um papel importante ao oferecerem uma perspectiva comparativa global. Contudo, um índice concebido e produzido localmente permite maior profundidade analítica, melhor adequação às realidades sectoriais e regionais e maior proximidade na recolha e validação de dados.

Acresce que a apropriação nacional do processo fortalece a credibilidade interna dos resultados, promove maior envolvimento das empresas e dos decisores públicos e cria um sistema contínuo de inteligência económica, adaptado às dinâmicas específicas do nosso mercado.

De forma prática, e a título de exemplo, os novos índices complementam as análises macro-económicas realizadas por instituições internacionais, como o FMI, ao fornecerem dados detalhados sobre a produtividade, os custos, o ambiente regulatório, o acesso ao financiamento e a competitividade das empresas.

Enquanto os indicadores mais recentes do FMI analisam a economia a partir de uma perspectiva global, os nossos índices observam a realidade a partir das empresas, onde as políticas públicas se materializam.

Deste modo, os estudos nacionais poderão confirmar, aprofundar ou, quando necessário, questionar estas avaliações externas, contribuindo para políticas públicas mais eficazes e decisões económicas baseadas em evidência. Por outro lado, os índices da FUNDEC irão oferecer uma perspectiva de análise do ponto de vista nacional, o que enriquecerá o debate interno e a visão dos analistas económicos sobre o País.

De que forma os índices de competitividade da FUNDEC poderão influenciar a tomada de decisão dos investidores, das empresas nacionais e dos decisores públicos, promovendo maior previsibilidade, transparência e confiança no mercado?

Os índices funcionarão como instrumentos estruturantes de referência para todos os actores económicos. Para os investidores, nacionais e estrangeiros, constituirão uma fonte fiável de informação sobre padrões de governação, desempenho financeiro, capacidade de inovação e sustentabilidade empresarial, reduzindo assimetrias de informação e aumentando a previsibilidade.

Para as empresas nacionais, representarão uma ferramenta de auto-diagnóstico e de orientação estratégica, permitindo identificar oportunidades de melhoria e alinhar práticas com padrões mais exigentes de competitividade.

Para os decisores públicos, os resultados fornecerão evidência empírica sólida para a formulação de políticas económicas mais direccionadas e eficazes. Em conjunto, estes efeitos contribuirão para um ambiente de negócios mais transparente, estável e gerador de confiança.

Quais são os principais pilares e indicadores que irão compor estes índices de competitividade e como a FUNDEC está a garantir o rigor técnico, a credibilidade metodológica e a comparabilidade internacional dos resultados?

Os índices serão estruturados em torno de pilares fundamentais da competitividade empresarial, incluindo governação corporativa e transparência, solidez financeira e desempenho económico, inovação e transformação tecnológica, sustentabilidade e responsabilidade social, capital humano e produtividade, bem como integração em cadeias de valor e acesso a mercados.

A FUNDEC tem vindo a trabalhar com especialistas nacionais e parceiros técnicos independentes para assegurar uma metodologia robusta, baseada em critérios objectivos, ponderações claras e validação estatística rigorosa. O processo de recolha e tratamento de dados obedecerá a padrões reconhecidos internacionalmente, garantindo consistência e fiabilidade.

Paralelamente, está a ser assegurada compatibilidade metodológica com referências globais, de modo a permitir análises comparativas a nível regional e internacional, reforçando a credibilidade e o reconhecimento externo dos resultados.

Que impacto estratégico espera a FUNDEC gerar, a médio e longo prazos, com a publicação regular destes índices, tanto na melhoria do ambiente de negócios como no posicionamento de Moçambique nos rankings regionais e internacionais de competitividade?

A médio prazo, espera-se que a publicação regular dos índices induza uma cultura de melhoria contínua no sector empresarial moçambicano, incentivando padrões mais elevados de gestão, transparência e inovação.

A longo prazo, a iniciativa deverá contribuir para o fortalecimento da confiança dos investidores, para a consolidação de reformas estruturais orientadas por evidência e para o aumento da eficiência e produtividade das empresas nacionais.

Em termos estratégicos, estes índices posicionam-se como um instrumento catalisador de transformação económica, capaz de reforçar o posicionamento de Moçambique nos rankings regionais e internacionais de competitividade e de afirmar o País como um destino mais credível, organizado e preparado para competir num contexto global cada vez mais exigente.

Reafirmamos, portanto, que com estes índices a FUNDEC assume o seu compromisso com o fortalecimento do sector privado, a melhoria do clima de investimento e a promoção do crescimento económico sustentável em Moçambique.

Compartilhar:

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Newsletter

Ao clicar no botão Inscrever-se, confirma que leu a nossa Política de Privacidade.
PUBLICIDADE