Dez anos depois da sua primeira edição, a Revista Negócios afirma-se como uma referência incontornável no panorama empresarial moçambicano, fruto de uma trajectória marcada por resiliência, inovação e uma permanente capacidade de adaptação. Nesta entrevista, o Dr. Jaime Langa, PCA da Maxmedia, revisita os momentos mais desafiantes e as conquistas mais emblemáticas, partilhando, com humor e lucidez, a visão estratégica que tem permitido transformar obstáculos em oportunidades. Entre a reinvenção dos modelos de negócio e a aposta decidida na Inteligência Artificial como aliada do futuro, fica claro, a história da Revista Negócios está apenas a começar.
Dr. Jaime Langa, 10 anos da Revista Negócios… já podemos dizer que é uma jovem veterana?
(risos) Sem dúvida! A Revista Negócios é como aqueles jogadores experientes que continuam a marcar golos decisivos. Já tem maturidade, mas mantém a irreverência e a energia de quem ainda quer conquistar muito mais. São 10 anos de aprendizagem, resiliência e, sobretudo, paixão pelo mundo empresarial moçambicano fundamentalmente no mercado de comunicação estratégica.
Se tivesse de resumir esta década numa palavra, qual seria?
Superação. Porque cada edição foi, à sua maneira, uma pequena vitória. Num mercado desafiante como o nosso, manter uma revista impressa, relevante e respeitada durante uma década é, por si só, um feito que merece celebração… com direito a bolo e, se possível, dois!
Quais foram os maiores desafios ao longo deste percurso?
Foram vários, desde as limitações do mercado publicitário até às mudanças nos hábitos de consumo de informação. Houve momentos em que parecia que estávamos a correr uma maratona… com obstáculos e sem água pelo caminho! Mas aprendemos a adaptar-nos, a inovar e, sobretudo, a nunca desistir.
Um dos maiores desafios, sem dúvida, tem sido o custo de impressão. Trata-se de um factor estrutural que tem pesado significativamente sobre a sustentabilidade das publicações impressas e que, em muitos casos, contribuiu para a saída de várias revistas do mercado. A este contexto soma-se a redução dos orçamentos de marketing por parte das empresas, que passaram a privilegiar canais digitais e soluções de retorno mais imediato. Este duplo impacto obrigou-nos a repensar o modelo de negócio, a optimizar recursos e a encontrar novas formas de continuar a entregar valor aos nossos parceiros, sem comprometer a qualidade editorial que nos distingue.
E como é que a Maxmedia respondeu a esses desafios?
Com criatividade e ousadia. Não ficámos apenas pela revista. Desenvolvemos produtos e serviços de comunicação estratégica, eventos corporativos, estudos de mercado e soluções integradas para empresas. Percebemos cedo que era preciso diversificar para crescer e consolidar. Hoje, a Maxmedia é mais do que uma editora, é uma plataforma de soluções em resposta as necessidades do mercado.
Fala-se muito de inovação. O que significa, na prática, inovar neste sector?
Inovar é não ter medo de mudar antes de sermos obrigados a isso. É antecipar tendências, experimentar novos formatos, ouvir o mercado e, por vezes, arriscar. Nem sempre acertamos à primeira, mas também nunca ficamos parados. E, convenhamos, quem fica parado… fica para trás!
E a Inteligência Artificial, que hoje está em todo o lado, como entra neste contexto?
A Inteligência Artificial é uma aliada, não uma ameaça. É uma ferramenta poderosa que pode ajudar a optimizar processos, analisar dados e até melhorar a forma como comunicamos. As empresas que tentarem lutar contra esta realidade vão perder tempo. O caminho é aprender, adaptar-se e tirar proveito dos seus benefícios. A IA não substitui o talento humano, mas potencia-o.
Contudo, esta revolução não está isenta de riscos. Um dos principais desafios prende-se com a credibilidade e a autenticidade da informação. A facilidade com que conteúdos podem ser gerados automaticamente levanta preocupações quanto à veracidade, ao plágio e à proliferação de desinformação. Há também o risco de uniformização de conteúdos, caso as organizações se limitem a depender excessivamente destas ferramentas, perdendo identidade editorial e pensamento crítico. Acresce ainda a questão ética e legal, nomeadamente no uso de dados e na responsabilidade sobre conteúdos produzidos com apoio de IA.
Por isso, o caminho não é resistir à Inteligência Artificial, mas sim integrá-la com inteligência e responsabilidade. As empresas de comunicação que se destacarem serão aquelas que souberem combinar o melhor da tecnologia com o valor insubstituível do olhar humano, a criatividade, o contexto e o julgamento editorial. A IA deve ser vista como um amplificador de capacidades e não como um substituto. Quem conseguir encontrar esse equilíbrio terá uma vantagem competitiva clara num mercado cada vez mais exigente e dinâmico.
O que distingue a Revista Negócios no panorama nacional?
A nossa capacidade de contar histórias reais de quem faz a economia acontecer. Damos voz a empresários, gestores e líderes que, muitas vezes, constroem o País longe dos holofotes. E fazemos isso com rigor, proximidade e, claro, com aquele toque humano que nos caracteriza.
Acresce a isso a nossa forte proximidade com os parceiros, que não são vistos apenas como clientes, mas como parte integrante do nosso ecossistema. Procuramos compreender profundamente as suas necessidades, desafios e ambições, transformando essas necessidades em produtos editoriais e soluções de comunicação ajustadas. Assim, a Revista Negócios deixa de ser apenas um meio de divulgação para se afirmar como uma verdadeira plataforma de soluções, capaz de responder de forma concreta aos problemas dos seus parceiros, criando valor mútuo e relações duradouras.
Para terminar, o que podemos esperar dos próximos 10 anos?
Mais inovação, mais proximidade com o mercado e, seguramente, novas formas de comunicar. Queremos continuar a crescer, a influenciar positivamente o ambiente de negócios e a criar valor para os nossos parceiros. E, se tudo correr bem, daqui a 10 anos estaremos aqui outra vez… a celebrar, com ainda mais histórias para contar!
Na verdade, celebrar 10 anos é importante, mas mais importante é manter viva a ambição de continuar a fazer melhor. A todos os que fazem parte desta história, o nosso muito obrigado. E agora… venham os próximos desafios, que nós já estamos aquecidos!












