Mais de 30 empresários moçambicanos participam, entre os dias 3 e 7 de Agosto, numa missão empresarial aos Estados Unidos da América, promovida pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), numa iniciativa que pretende aproximar o sector privado nacional dos principais operadores da indústria global de petróleo e gás e criar oportunidades concretas para a integração das empresas moçambicanas nas cadeias internacionais de fornecimento.
Com actividades em Houston, no Estado do Texas, e em Washington D.C., a missão aposta na diplomacia económica para fortalecer relações empresariais, atrair investimento, promover a transferência de tecnologia e aumentar a participação das empresas nacionais nos megaprojectos de gás natural em desenvolvimento no país. O programa inclui mesas-redondas de negócios, encontros bilaterais com potenciais parceiros e visitas técnicas a algumas das maiores empresas da indústria energética norte-americana.
Entre os momentos de maior destaque está a visita ao campus da ExxonMobil, em Houston, onde os empresários procuram conhecer de perto as operações da multinacional, identificar oportunidades ligadas ao conteúdo local e aprofundar o relacionamento institucional com um dos principais investidores nos futuros projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique. A agenda contempla igualmente uma visita à Halliburton, empresa de referência mundial em serviços para a indústria petrolífera, permitindo aos participantes contactar com soluções tecnológicas nas áreas de exploração, perfuração e produção, bem como avaliar possibilidades de fornecimento para os projectos moçambicanos.
No âmbito da missão, a CTA, em parceria com a Câmara de Comércio Texas-África (TXACC), a Embaixada de Moçambique nos Estados Unidos e a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), organizou ainda um Fórum de Negócios EUA–Moçambique destinado a reforçar a cooperação económica e empresarial entre os dois países.
Na abertura do encontro, o Embaixador de Moçambique nos Estados Unidos, Alfredo Nuvunga, destacou que o país reúne condições competitivas para atrair investimento, apontando a localização estratégica, o potencial energético, os recursos minerais, as terras agrícolas e a população jovem como activos capazes de sustentar uma trajectória de industrialização e crescimento económico inclusivo.
Por sua vez, o vice-presidente da CTA, Onório Manuel, defendeu que a missão representa muito mais do que uma simples procura de capital estrangeiro, constituindo antes uma oportunidade para estabelecer parcerias estratégicas de longo prazo. Segundo afirmou, os corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala, aliados ao acesso aos mercados da SADC e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), colocam Moçambique numa posição privilegiada para receber investimento industrial. O responsável salientou ainda que os projectos de GNL devem servir como motor para o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais e para o fortalecimento da capacidade competitiva das empresas moçambicanas.
Como um dos principais resultados da missão, a CTA assinou um Memorando de Entendimento com a Câmara de Comércio Texas-África, criando um quadro institucional para dinamizar o comércio e o investimento entre empresas moçambicanas e norte-americanas. O acordo prevê a promoção de parcerias empresariais, o incentivo ao investimento directo estrangeiro, o apoio à internacionalização das empresas, a capacitação de micro, pequenas e médias empresas, a partilha de inteligência de mercado e o reforço da cooperação entre os sectores público e privado.
O memorando identifica como sectores prioritários a energia, petróleo e gás, infra-estruturas, indústria transformadora, agricultura, tecnologias de informação, energias renováveis e formação profissional. Para a CTA, a parceria constitui um instrumento estratégico para facilitar a integração das empresas nacionais nas cadeias globais de fornecimento, acelerar a transferência de conhecimento e preparar as pequenas e médias empresas para responder às exigências dos grandes investimentos previstos para o sector energético moçambicano.











