RAIZ Pretende Mobilizar Capital Para Pequenas Empresas em Crescimento

Moçambique deu esta semana um novo passo na estratégia de fortalecimento do sector privado com o lançamento do Programa RAIZ – Resiliência, Adaptação e Inovação em Moçambique, uma iniciativa que procura desenvolver soluções inovadoras de financiamento para pequenas empresas em crescimento e criar condições para mobilizar investimento privado em sectores considerados prioritários para a economia nacional.

A iniciativa nasce de uma parceria entre a FSD Africa e o Governo do Reino Unido, através da Foreign, Commonwealth & Development Office (FCDO), com um investimento inicial de quatro milhões de libras esterlinas, que deverá funcionar como capital catalítico para mobilizar cerca de 20 milhões de libras em recursos adicionais provenientes de investidores privados, instituições de desenvolvimento e outros parceiros financeiros durante os próximos anos.

Durante a cerimónia de lançamento, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Miro Albino, destacou que o programa surge num momento em que Moçambique procura revitalizar o sector privado e acelerar a transformação económica.

Segundo o governante, muitas pequenas empresas continuam limitadas por opções de financiamento escassas e dispendiosas, situação que compromete o crescimento de actividades estratégicas, como a agricultura, a silvicultura, as pescas e outros sectores produtivos.

“Ao ampliar o acesso a soluções inovadoras de financiamento para as empresas de pequena dimensão em crescimento, esta iniciativa poderá estimular o empreendedorismo, acelerar o crescimento empresarial, promover a criação de emprego digno e reforçar a resiliência das empresas face aos desafios económicos e climáticos”, afirmou Roberto Miro Albino.

Mais do que disponibilizar novos recursos financeiros, o programa pretende apoiar o desenvolvimento de instrumentos de financiamento adaptados às diferentes fases de crescimento das empresas, reconhecendo que nem todos os negócios possuem as mesmas necessidades de capital.

Na apresentação da iniciativa, a Directora de Financiamento para Empresas em Fase Inicial da FSD Africa, Juliet Munro, sublinhou que o principal desafio não reside apenas na escassez de financiamento, mas também na falta de diversidade de instrumentos financeiros adequados às empresas em expansão.

A responsável explicou que o programa irá trabalhar com investidores locais e internacionais, apoiar novos operadores financeiros a entrar no mercado moçambicano e testar modelos inovadores de financiamento capazes de responder às necessidades das pequenas empresas que ainda não conseguem aceder ao sistema bancário tradicional.

Entre as primeiras iniciativas anunciadas estão parcerias para criação de fundos de investimento, mecanismos de financiamento de impacto, apoio ao financiamento de empresas inovadoras e desenvolvimento de soluções para sectores ligados à economia azul, agricultura e mercados de carbono. A FSD Africa revelou igualmente investimentos e acordos com parceiros internacionais para acelerar a entrada de novos investidores no mercado moçambicano.

A Alta-Comissária do Reino Unido em Moçambique, Helen Lewis, recordou que as pequenas empresas representam cerca de 97% do tecido empresarial moçambicano, contribuindo com aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e quase metade do emprego formal, razão pela qual considera essencial criar mecanismos alternativos para financiar este segmento da economia.

Para a diplomata britânica, o RAIZ representa uma nova abordagem da cooperação entre os dois países, centrada menos na ajuda tradicional e mais na mobilização de investimento privado.

“Ao mobilizar capital privado, esta parceria irá desbloquear o potencial das pequenas empresas em crescimento de Moçambique, criando emprego e impulsionando o crescimento liderado pelo sector privado”, afirmou Helen Lewis.

A FSD Africa considera que o novo programa poderá contribuir para criar um mercado mais dinâmico de financiamento para empresas em fase inicial, aumentando a participação de investidores locais e internacionais e promovendo soluções que reforcem simultaneamente o crescimento económico e a adaptação às alterações climáticas.

Segundo Juliet Munro, a iniciativa combinará capital catalítico, assistência técnica e fortalecimento do ecossistema financeiro para testar novos instrumentos de investimento e criar um ambiente favorável à expansão das pequenas empresas, especialmente nos sectores agrícola, economia azul, energias renováveis e outras actividades relacionadas com a resiliência climática.

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