Os desafios da mulher na primeira pessoa

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O 7 de Abril é dedicado à mulher moçambicana. Trata-se de uma data eleita para celebrar os feitos da mulher, desde a luta pela independência nacional até aos desafios da nação nos dias que correm.

Para assinalar a data, o “Café Negócios” juntou mulheres que contribuem para o desenvolvimento do país em vários sectores de actividades. Em discurso directo, cada uma delas fala dos desafios da mulher numa sociedade educada para privilegiar o homem em detrimento desta.

Esselina Macome, administradora da FSD-Moçambique

“Os desafios da mulher estão alinhados com os do país”

“Os desafios da mulher moçambicana estão alinhados com os do país. Todas nós queremos desenvolver o país, independentemente de ser mulher ou homem. É nesta qualidade que me vejo a dar o melhor de mim para que o meu país cresça. Por isso, acredito que todas as mulheres que já ocuparam posições de relevo a vários níveis o fizeram-no por merecer, sem qualquer tipo de favorecimento. Hoje, o homem e a mulher competem em igualdade de circunstâncias. Eu, particularmente, nunca me senti diminuída por ser mulher, por isso tenho uma palavra de apreço por todos os colegas com quem já trabalhei”.

 

Ana Isabel Eiras, consultora de Engenharia na NRV Moçambique

“Há muita rapariga no ensino superior”

“A situação da mulher em Portugal tem um antes e depois da década de 70. Com a revolução, esta chegou às universidades e ocupou cargos importantes nas empresas e no sector público. Hoje há mais mulheres no ensino superior em Portugal, mas em contrapartida, no topo das empresas, os homens são a maioria. A que se deve? A maternidade é uma das razões. As empresas não apostam em mulheres, uma vez que podem interromper o trabalho para a gestação ou para amamentar. Por isso temos muitas que abdicam da maternidade.  Muitas delas têm bons trabalhos, estão muito bem projectadas. Este cenário deve-se, em grande medida, ao esforço que está a ser empreendido para lutar contra casamentos prematuros”.

Helga Nunes, consultora de Comunicação

“Há distinção entre homens e mulheres”

“Há razões que contribuem para a distinção que se faz entre o homem e a mulher, como por exemplo a cultura e a educação. Quando dava aulas de Comunicação em Maputo, era agradável registar que a quantidade de alunas era de longe superior ao dos alunos. E, na maior parte das vezes, eram elas que obtinham as melhores notas. Mas com o tempo, o seu número nas turmas ia reduzindo.  Nesse sentido, encaro a questão como um produto cultural. Não obstante esse fenómeno de desistência escolar, hoje muitas mulheres desempenham profissões que antes eram consideradas masculinas e podemos vê-las no sector da construção civil, dos transportes, logística, defesa, entre outros”.

Elsa Santos, directora-geral da InvesteImovel

“Nós conseguimos”

“Fala-se bastante da questão das quotas nas várias instituições para a inclusão da mulher nos cargos de chefia. Eu não concordo. Penso que as quotas são importantes para a inclusão de alguns grupos sociais, como é o caso dos deficientes, visto que estes têm enfrentado vários desafios. Nós, mulheres, não precisamos de quotas. Deixe-me dizer, em alto e bom-tom, que nós conseguimos”.

 

Melanie Vendeville, directora da ALTEA RESOURCER

“Mulher deve estar no topo da gestão”

“A mulher moçambicana ainda não está devidamente representada no topo das empresas. Não tem acesso a alguns cargos. É importante para a sociedade criar maior abertura para a inclusão da mulher na gestão de grandes corporações. Este tipo de espaço é útil e pode servir para induzir boas iniciativas que tenham em vista o empoderamento da mulher”.

 

Paula Bila, directora de Comunicação e Imagem da BVM

“A mulher ocupou o seu espaço”

“Os desafios da mulher são enormes. Mas é importante dizer que cada ano que passa se sente orgulhosa, visto que ocupa o seu espaço, está emancipada e tem apoio e colaboração do governo para elevar ainda mais o seu lugar. Veja que eu trabalho numa instituição onde quase 70% dos colaboradores são mulheres e parte importante delas bem formada.

 

Chiara Biasi, secretária-geral da CCMI

“Há muitas empresas que apostam na formação da mulher”

“Pelo facto de, como mulheres, sermos responsáveis por diversos afazeres no lar, devíamos ter uma boa inserção no local de trabalho. A mulher pode dar um grande contributo nas organizações, uma vez que já é responsável por natureza. Não é por acaso que há muitas empresas que apostam na formação das mulheres. A multinacional italiana ENI é uma delas, onde o número de mulheres é bastante expressivo”.

Neusa Marcelino, directora-geral da CMA CGM

“Não enfrentamos desafios”

“Muitas barreiras que a mulher enfrenta, ela mesma é quem as coloca. Temos o hábito de nos retrair. Não enfrentamos os desafios dentro das corporações. Mesmo eu, a ascensão que tive dentro da empresa, foi-me imposta.  Para o cargo que ocupava e o sector onde trabalho (transportes), muitos gestores e clientes não olhavam para mim como uma pessoa capaz. Mas com o tempo tudo mudou, hoje trabalho sem precisar de enfrentar este tipo de problemas, e veja que na CMA CGM sou a única mulher que ocupa o cargo de directora-geral em todo o continente africano”.

 

 

 

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