“O Futuro é Tudo Bom” não é um filme tudo bom

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The Story of Hello” é sensível e emotivo. Pelo conjunto da obra, é um trabalho que, mesmo com a ajuda de uma lupa, o mago brasileiro em filmes publicitários Tiago Barreto não pode conseguir garimpar defeito. Está-se a falar de uma jóia bem trabalhada.

A partir de “The Story of Hello”, a Vodacom e a DDB Moçambique tiveram a missão de produzir uma adaptação para o mercado local. Em meados de Outubro, a adaptação saiu do forno com o nome de “O Futuro é Tudo Bom”. A peça procura traduzir o futuro.

“O futuro é algo que sempre desperta a curiosidade das pessoas. Como será? O que vai acontecer? Como estaremos daqui a alguns anos?”, indaga a DDB numa publicação na sua página do Facebook, para de seguida dar a resposta: “São sempre muitas perguntas e que, muitas vezes, são comuns a toda a gente.

O que nem sempre se percebe é que nós já vivemos no futuro de alguns anos atrás.” Possuindo uma versão estendida de 90 segundos de duração, “O Futuro” mostra que as pessoas podem efectuar video chamadas entre celulares e computadores, fazer imagens instantâneas de recém-nascidos, praticar jogos de realidade virtual, carregar celulares sem o auxílio de um cabo, ver televisão pelo celular e também pagar as compras através do celular.

O uso do celular é o arco que une os personagens do filme. É uma proposta previsível e sem nenhum ineditismo. Esse arco poderia ter sido costurado de forma criativa. Todos os personagens tinham de ter uma história com início, meio e fim, ao apresentar um problema e uma solução. Tentou-se fazer isso na história da mamã que dá à luz e cujo pai chega para registar a imagem do recém-nascido e da nova composição da família. Fora essa tentativa, não há mais nada.

Os outros personagens aparecem de forma meio avulsa, sem dizerem ao que vieram. Há a impressão de que houve uma ânsia de se trazer belíssimas cenas em deferimento de um conteúdo igualmente belo. Em suma, o que falta na peça é dramaturgia.

O elenco predominantemente jovem e os cenários urbanos fazem pensar que “O Futuro” não é tudo bom para quem é idoso ou reside fora dos centros urbanos. Mais representatividade, por favor! A Vodacom é reconhecida por oferecer serviços de qualidade também no meio rural.

E pessoas com mais de meia-idade a lidarem com a tecnologia é um conceito em voga ultimamente, e que imprime graça de forma espontânea. Numa dicotomia rara, a peça apresenta uma trilha fascinante , interpretada pela cantora Regina, da banda Gran Mah. “A parte instrumental foi toda adaptada [da música ‘Changing’, de Sigma e Paloma Faith] com instrumentos locais para que o público se identifi que com as melodias”, conta a DDB.

Com uma sintonia bem achada com a trilha, está o texto do fi lme, que na voz de André Manhiça dá o banho de carisma que “O Futuro” merece, e assim o público consegue conectar-se com o trabalho. Manhiça é um profissional cuja voz tem o dom de cativar e de dar credibilidade.

Não é por acaso que há anos ele é a voz-padrão dos filmes da Vodacom. Contrato vitalício para ele. Tecnicamente, “O Futuro” não tem pecados. Há ali um trabalho de correcção e de nivelamento de luz dos mais interessantes. Os planos, as sequências e o guarda-roupa merecem aplausos.

E a sua pós-produção (notadamente exigente) foi correctíssima ao dar o tom futurista que o trabalho pedia. “A ideia é reforçar o quanto o mundo já avançou nos últimos anos, especialmente na área da comunicação, além de convidar o público a participar neste futuro”, fecha a DDB sobre esse filme que é bom, mas que poderia ser tudo bom.

1 comentário
  1. Redação Diz

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