Moçambique debate novo caminho para uma economia mais verde

A primeira edição do ‘Mozambique Future Green Business Expo 2026’ colocou em debate a necessidade de Moçambique adoptar uma abordagem própria para a transformação ambiental, aproximando sustentabilidade, actividade empresarial, inovação e desenvolvimento económico.

Realizado em Maputo, o encontro reuniu representantes do Governo, sector privado, academia, sociedade civil, especialistas e crianças, num espaço dedicado à discussão sobre regulação ambiental, responsabilidade empresarial e soluções ajustadas às condições económicas, sociais e institucionais do país.

Na abertura do evento, o Director-Geral da Ecobrand Moçambique, Faustino Quissico, defendeu que a sustentabilidade deve deixar de ser apenas um conceito associado ao futuro e passar a integrar as decisões tomadas actualmente pelas empresas e instituições.

“A sustentabilidade não deve ser um discurso sobre o futuro. Deve ser uma prática no presente e uma oportunidade concreta para transformar vidas”, afirmou, defendendo uma maior aproximação entre o sector empresarial e os desafios ambientais.

A componente regulatória esteve igualmente no centro das discussões. João Cipriano e Leonardo Solila, da Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC), abordaram o quadro legal relacionado com a gestão de resíduos, plásticos e produtos químicos em Moçambique.

Entre os instrumentos apresentados estiveram o Regulamento sobre a Gestão e Controlo do Saco de Plástico, aprovado pelo Decreto n.º 16/2015, o Regulamento sobre Gestão de Resíduos Perigosos, aprovado pelo Decreto n.º 83/2014, e o Regulamento sobre Gestão de Produtos Químicos e Poluentes Orgânicos e Persistentes, aprovado pelo Decreto n.º 25/2024.

Para o jurista e ambientalista Carlos Serra, a transformação ambiental de Moçambique não deve limitar-se à reprodução de modelos desenvolvidos noutros países. O país, defendeu, precisa de construir um processo ajustado às suas próprias condições e capaz de converter os desafios ambientais em oportunidades de desenvolvimento.

A perspectiva foi também abordada por James Robinson, que participou no evento por videoconferência e partilhou experiências do Reino Unido e do Ruanda. A sua intervenção destacou o papel do Estado e das instituições na condução de processos de mudança, bem como a necessidade de cada país adoptar decisões adequadas à sua realidade e trajectória institucional.

O evento atribuiu ainda espaço às novas gerações, com a participação de uma representante da organização Crianças e Continuadores de Moçambique. A intervenção chamou a atenção para o impacto das decisões actuais sobre as condições em que as crianças irão viver, trabalhar e assumir responsabilidades no futuro.

Para além do debate, o Mozambique Future Green Business Expo 2026 combinou uma exposição de soluções verdes com oficinas ambientais, procurando criar uma plataforma de ligação entre empresas, instituições públicas, investidores, especialistas, empreendedores e comunidades.

A organização pretende que o encontro contribua para aproximar ideias sustentáveis de potenciais parceiros e investidores, criando condições para que estas possam evoluir para soluções concretas com impacto económico e ambiental.

O desafio colocado no encerramento passa, segundo Faustino Quissico, por construir uma economia capaz de gerar riqueza sem comprometer os recursos naturais que sustentam essa mesma riqueza. A mensagem final do evento apontou para uma responsabilidade partilhada entre empresas, Estado, comunidades e cidadãos na construção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável.

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