Marca de alta joalharia fundada por Cheila Gomes pretende contribuir para a valorização local dos recursos minerais, através da lapidação, certificação e produção de peças exclusivas, criando oportunidades de emprego qualificado para jovens moçambicanos.
A valorização dos recursos minerais dentro das fronteiras nacionais ganha um novo interveniente com a entrada oficial da Mariaruby no mercado moçambicano. A marca de alta joalharia, de matriz luso-moçambicana, apresentou-se oficialmente em Maputo, a 28 de Outubro, com uma proposta de negócio centrada na transformação de pedras preciosas e metais nobres em produtos de elevado valor acrescentado.
A iniciativa surge num contexto de crescente debate sobre a necessidade de reforçar a participação nacional na cadeia de valor da indústria extractiva. Recentemente, durante a 8.ª edição da Feira Anual de Gemas e Metais Preciosos, realizada em Nacala, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Esteves Pale, defendeu a implementação de reformas estruturais para reduzir a exportação de minerais em bruto e assegurar que etapas como a lapidação, certificação e transformação industrial sejam realizadas no país.
É neste enquadramento que a Mariaruby procura posicionar-se, estabelecendo uma ligação entre a riqueza geológica de Moçambique e o mercado internacional de luxo. A empresa pretende trabalhar com pedras preciosas naturais moçambicanas e de outras origens, apostando na rastreabilidade, certificação e criação de joalharia exclusiva.
Fundada em 2022 por Cheila Gomes, a marca procura demonstrar que os recursos minerais podem representar mais do que receitas provenientes da sua extracção e comercialização. A aposta passa pela criação de produtos acabados, capazes de incorporar conhecimento técnico, design e identidade cultural, ampliando as oportunidades de participação nacional nos segmentos mais rentáveis da cadeia de valor.
Com mais de 17 anos de experiência nas áreas de Gestão e Marketing e 12 anos de ligação ao sector extractivo, incluindo oito anos de actividade em Moçambique, Cheila Gomes traz para o projecto um conhecimento acumulado sobre a indústria mineira. Durante esse percurso, esteve ligada às Relações Públicas de uma das maiores operações de exploração de rubis do mundo.
“Adicionar valor aos nossos recursos minerais não é apenas uma meta macroeconómica, é uma questão de soberania e de dignidade económica nacional. Durante anos vi o valor das nossas pedras preciosas ser capturado fora das nossas fronteiras. A Mariaruby nasce para provar que é possível fixar este conhecimento em Moçambique, criar empregos qualificados para os nossos jovens e devolver ao país, em forma de arte e produto acabado, a riqueza da nossa terra”, afirma a fundadora.
Para além da comercialização de peças de joalharia, o projecto incorpora uma componente de formação e capacitação profissional. Entre as iniciativas destacadas está um programa de formação em lapidação artesanal, desenvolvido em parceria com instituições académicas internacionais, incluindo a Universidade de Aveiro, em Portugal.
A iniciativa pretende capacitar jovens moçambicanos numa actividade especializada e contribuir para recuperar competências técnicas que, segundo a empresa, se encontram em risco de desaparecimento. A formação poderá também representar uma oportunidade para desenvolver mão-de-obra nacional especializada e criar condições para uma maior participação de profissionais moçambicanos na transformação de gemas.
A entrada da Mariaruby acontece num momento em que Moçambique procura consolidar os benefícios económicos da exploração dos seus recursos naturais. Apesar da relevância do país no mercado internacional de pedras preciosas, particularmente no segmento dos rubis, a capacidade de transformação local continua a constituir um dos desafios para a maximização do valor gerado pela indústria extractiva.
Neste contexto, iniciativas empresariais orientadas para a lapidação, certificação e produção de joalharia poderão contribuir para diversificar a base industrial, estimular o empreendedorismo especializado e criar novas oportunidades de negócio em torno dos recursos minerais.
O lançamento oficial, realizado no Hotel Radisson, em Maputo, reuniu representantes institucionais, diplomatas, empresários e outras individualidades, tendo incluído a apresentação das colecções da marca e demonstrações dos mecanismos de rastreabilidade das gemas.
Com presença em publicações internacionais de referência, como a Forbes, a Mariaruby pretende afirmar-se no segmento da alta joalharia, combinando padrões internacionais de qualidade com uma identidade inspirada na cultura, natureza e força feminina africana. O desafio será transformar esta proposta de valor numa operação sustentável, capaz de contribuir efectivamente para o desenvolvimento de competências, a criação de emprego e a retenção de valor económico em Moçambique.












