Carteiras móveis superam população adulta e aceleram inclusão financeira em Moçambique

O número de carteiras móveis em Moçambique atingiu, em 2025, o equivalente a 131,3% da população adulta, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM), confirmando a forte expansão dos serviços financeiros digitais no país e o papel central das instituições de moeda electrónica no processo de inclusão financeira.

De acordo com os indicadores de inclusão financeira publicados pelo banco central, o rácio superior a 100% significa que muitos utilizadores possuem mais de uma conta móvel, fenómeno associado à utilização simultânea de diferentes operadores e serviços digitais.

Nos últimos anos, as carteiras móveis tornaram-se o principal canal de acesso a serviços financeiros, superando largamente as contas bancárias tradicionais, sobretudo nas zonas rurais e periurbanas, onde a presença física de agências continua limitada.

Crescimento impulsionado por agentes e telemóveis

O BdM refere que a expansão das carteiras digitais está ligada ao aumento do número de agentes e à maior interoperabilidade entre bancos e instituições de moeda electrónica. Em 2025, o país já conta com centenas de milhares de agentes de dinheiro móvel distribuídos por todos os distritos, permitindo realizar pagamentos, transferências e depósitos através do telemóvel.

Este crescimento tem contribuído para reduzir a dependência de infra-estruturas bancárias tradicionais, num contexto em que o número de caixas automáticos e terminais físicos tem registado uma tendência de estagnação ou redução.

Inclusão financeira em níveis históricos

Os dados do banco central mostram que, ao longo da última década, o acesso a serviços financeiros digitais aumentou de forma significativa, passando de menos de 30% da população adulta com contas electrónicas para mais de 100%, evidenciando uma transformação estrutural no sistema financeiro nacional.

O regulador considera que o avanço das carteiras móveis tem sido determinante para alcançar metas da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, permitindo que milhões de cidadãos realizem operações sem necessidade de conta bancária convencional.

Desafio passa por uso efectivo dos serviços

Apesar do crescimento acelerado, especialistas apontam que o principal desafio passa agora por aumentar o uso efectivo das contas, promovendo poupança, crédito e pagamentos digitais, e não apenas a abertura de carteiras móveis.

O BdM defende que a consolidação do sistema digital dependerá da expansão da literacia financeira, do reforço da segurança das transacções e da integração entre bancos, operadoras móveis e fintechs, de forma a garantir que a inclusão financeira se traduza em maior dinamismo económico.

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