Banco Central Retira Mais Liquidez do Mercado com Reservas Bancárias em Máximo Histórico

As reservas obrigatórias da banca comercial moçambicana junto do Banco de Moçambique atingiram um máximo histórico de 308,8 mil milhões de meticais em Maio, um crescimento de 31% face aos 236,5 mil milhões de meticais registados em Abril, reflectindo o impacto do agravamento do coeficiente de reservas obrigatórias imposto pelo banco central.

Os dados constam do mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique, citado pela agência Lusa, e evidenciam um reforço significativo dos fundos imobilizados pelos bancos comerciais, numa altura em que as autoridades monetárias procuram conter os riscos inflacionários decorrentes do excesso de liquidez no sistema financeiro.

O montante registado em Maio supera o anterior máximo de 259,2 mil milhões de meticais alcançado em Dezembro de 2025. Depois de terem recuado para 225,3 mil milhões de meticais em Janeiro deste ano, as reservas voltaram a crescer gradualmente até Março, sofreram uma ligeira redução em Abril e dispararam em Maio.

A evolução coincide com a decisão do Comité de Política Monetária (CPMO) de aumentar, na reunião de 25 de Maio, o coeficiente de reservas obrigatórias aplicável aos passivos em moeda nacional, que passou de 29% para 39%, mantendo-se em 29,5% o coeficiente aplicado aos passivos em moeda estrangeira.

Na ocasião, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, justificou a medida com a necessidade de “absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”, num contexto marcado pelos riscos associados à subida dos preços dos combustíveis e às tensões geopolíticas no Médio Oriente.

A política de reservas obrigatórias tem sofrido alterações significativas nos últimos anos. No início de Janeiro de 2023, os coeficientes estavam fixados em apenas 10,5% para os passivos em moeda nacional e 11% para os passivos em moeda estrangeira. Ao longo do primeiro semestre desse ano, o banco central agravou-os por duas vezes, culminando, em Junho de 2023, em níveis históricos de 39% e 39,5%, respectivamente.

Como resultado, o volume de fundos retidos no banco central aumentou exponencialmente. Entre Dezembro de 2022, quando as reservas obrigatórias totalizavam 62,1 mil milhões de meticais, e o final de 2024, o montante imobilizado pela banca comercial cresceu cerca de 400%.

A decisão de manter elevados os coeficientes das reservas obrigatórias continua a ser alvo de críticas do sector empresarial. Desde 2024, os empresários moçambicanos têm defendido a redução destes níveis, sobretudo dos aplicados aos depósitos em moeda estrangeira, argumentando que a medida contribuiria para aliviar a escassez de divisas no mercado nacional e aumentar a capacidade de financiamento da economia.

Do ponto de vista macroeconómico, o aumento das reservas obrigatórias reduz a quantidade de recursos disponíveis para a concessão de crédito e funciona como um instrumento de controlo da liquidez. Ao obrigar os bancos a manterem uma parcela maior dos seus depósitos junto do banco central, a autoridade monetária limita a circulação de dinheiro na economia, procurando conter potenciais pressões inflacionárias.

Com a próxima reunião do Comité de Política Monetária agendada para 29 de Julho, o mercado acompanha com expectativa os próximos passos do Banco de Moçambique, numa conjuntura em que o equilíbrio entre o controlo da inflação, a disponibilidade de crédito e a recuperação da actividade económica continua a ser um dos principais desafios da política monetária do país.

Esta versão privilegia a análise económica e contextualiza o impacto das decisões do banco central sobre a liquidez do sistema bancário e a economia.

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