Procura Pelo Transporte Ferroviário de Passageiros Abranda e Cai 18% nos CFM

Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registaram uma redução de 18% no número de passageiros transportados em 2025, num ano marcado por constrangimentos operacionais, menor mobilidade em alguns corredores ferroviários e um contexto económico desafiante que afectou o desempenho do sector dos transportes.

A quebra no transporte de passageiros surge num momento em que a empresa continua a consolidar o seu papel como principal operador logístico do país, sustentando grande parte das exportações e importações que utilizam os corredores ferroviário-portuários nacionais.

Apesar do recuo neste segmento, o desempenho global dos CFM continua a ser fortemente impulsionado pelo transporte de carga, actividade que representa a principal fonte de receitas da empresa. Os corredores de Maputo, Beira e Nacala mantiveram a sua importância estratégica no escoamento de minerais, combustíveis, produtos agrícolas e carga contentorizada proveniente de Moçambique e dos países do hinterland, nomeadamente África do Sul, Zimbabué, Malawi, Zâmbia e República Democrática do Congo.

Em 2025, o Corredor de Maputo voltou a destacar-se como o mais dinâmico do sistema ferroviário nacional, beneficiando do crescimento das exportações de minerais críticos e do aumento do volume de mercadorias movimentadas através do Porto de Maputo. Por sua vez, o Corredor da Beira manteve-se relevante no transporte de carvão mineral e de combustíveis destinados aos mercados regionais, enquanto o Corredor de Nacala continuou a desempenhar um papel determinante na exportação de carvão e no comércio regional com o Malawi e a Zâmbia.

Os resultados evidenciam, contudo, a existência de uma assimetria crescente entre os segmentos de passageiros e de carga. Enquanto o transporte ferroviário de mercadorias tem vindo a beneficiar dos investimentos realizados nos corredores logísticos e do aumento da procura regional por infra-estruturas eficientes de transporte, o segmento de passageiros continua vulnerável às limitações da rede ferroviária, à concorrência do transporte rodoviário e aos elevados custos de manutenção do serviço.

Do ponto de vista financeiro, a actividade de carga continua a sustentar a rentabilidade dos CFM. A estratégia da empresa tem passado por reforçar os investimentos em infra-estruturas ferroviárias e portuárias, aumentar a capacidade operacional dos corredores logísticos e estabelecer parcerias estratégicas para responder ao crescimento do comércio regional.

Analistas do sector defendem que a recuperação do transporte ferroviário de passageiros exigirá investimentos específicos na modernização do material circulante, na reabilitação das linhas destinadas ao serviço de passageiros e na adopção de modelos operacionais que permitam tornar este meio de transporte mais competitivo e acessível.

Num contexto em que Moçambique procura posicionar-se como um hub logístico regional, os CFM enfrentam o desafio de equilibrar a expansão das operações de carga – actualmente responsáveis pela maior fatia das receitas da empresa – com a necessidade de garantir um serviço ferroviário de passageiros mais eficiente e sustentável.

A redução de 18% no número de passageiros transportados em 2025 demonstra que, embora o negócio logístico continue em expansão, a mobilidade ferroviária de pessoas permanece um dos principais desafios operacionais da empresa pública.

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