Eni Procura Novos Parceiros Para Expandir Projectos de GNL em Moçambique

A petrolífera italiana Eni está a intensificar esforços para atrair novos investidores internacionais para os seus projectos de gás natural liquefeito (GNL) em Moçambique, numa altura em que a procura global por energia continua elevada e o país reforça o seu posicionamento como futuro grande produtor africano de gás.

Segundo informações avançadas pela Reuters, a empresa iniciou negociações com grandes fundos internacionais de infra-estruturas, incluindo Apollo, KKR e Stonepeak, com o objectivo de mobilizar mais de mil milhões de euros para financiar activos ligados ao GNL, incluindo operações em Moçambique.

A estratégia da Eni passa pela criação de uma estrutura financeira que permita aos investidores participar nos fluxos de receitas gerados pelos seus projectos flutuantes de liquefacção de gás, conhecidos como FLNG. A iniciativa faz parte do plano da multinacional para libertar capital e acelerar novos investimentos energéticos.

Moçambique surge como uma das apostas centrais da empresa italiana, sobretudo através do projecto Coral North, localizado na Bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado. O empreendimento recebeu decisão final de investimento em Outubro de 2025 e deverá entrar em produção em 2028.

O Coral North terá capacidade de produção de cerca de 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, duplicando praticamente a capacidade actualmente assegurada pelo Coral South, que começou a exportar gás em 2022. Com os dois projectos em funcionamento, Moçambique poderá ultrapassar sete milhões de toneladas anuais de produção de GNL, consolidando-se entre os maiores produtores africanos do combustível.

O CEO da Eni, Claudio Descalzi, já afirmou anteriormente que Moçambique possui uma posição estratégica no mercado global de gás, graças às suas vastas reservas e localização geográfica favorável para abastecimento da Europa e da Ásia.

A procura por novos investidores acontece também num momento em que o mercado internacional de GNL enfrenta forte concorrência entre Europa e Ásia, enquanto as empresas energéticas procuram garantir novas fontes de abastecimento em meio às tensões geopolíticas globais.

Além da Eni, outros gigantes energéticos continuam a reforçar o interesse pelos recursos de gás moçambicanos. A ExxonMobil prevê avançar com a decisão final de investimento do projecto Rovuma LNG ainda em 2026, enquanto a TotalEnergies retomou recentemente os preparativos para reactivar o projecto Mozambique LNG em Cabo Delgado.

Compartilhar:

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Newsletter

Ao clicar no botão Inscrever-se, confirma que leu a nossa Política de Privacidade.
PUBLICIDADE