Belmiro Destino Quive (BQ) é um empresário moçambicano que opera em vários ramos de negócio. É PCA da BDQ Holdings, que é proprietária da primeira marca de telemóveis moçambicano. Quive tem interesses na área cultural e na promoção de espectáculos musicais. Recentemente, foi eleito presidente da Associação das Empresas Gráficas de Moçambique e é o convidado especial para a presente edição da revista ‘Negócios’.
A industria cultural, um dos ramos que faz parte do seu perfil de negócios, foi a mais afectada pelos efeitos da COVID-19. Qual é a avaliação que faz das consequências que esta pandemia trouxe para a empresa BDQ-Concertos?
A Produção de Eventos culturais e corporativos fazem parte do nosso portfolio de negócio. Com a pandemia, a produção de eventos culturais ficou drasticamente afectada pois os eventos não estão a acontecer há mais de dois anos. O nosso negócio depende do público. Isto não só aconteceu em Moçambique, mas também em todo o mundo, portanto os maiores festivais não podem acontecer e sem espetáculos não se pode gerar receitas e as consequências são enormes. Esta área cultural mexe com várias empresas, nomeadamente restaurantes, segurança, empresas de som e luz, tal como as empresas de infraestruturas de tendas e palcos, mas também com agências de artistas e advogados. É uma cadeia de valores afectada devido à pandemia e os prejuízos são incalculáveis.
A BDQ Mobile foi a primeira empresa moçambicana a lançar uma marca de telemóveis em Moçambique. Como desenvolveu a marca, onde são fabricados, e que vantagens competitivas possui em ter a sua própria marca?
BDQ MOBILE é a primeira marca de celulares em Moçambique e nasce do sonho em termos uma marca moçambicana capaz de produzir modelos de celulares que se ajustem ao bolso da maioria dos moçambicanos. Como deve imaginar, o poder de compra dos moçambicanos é baixo. A questão do processo é algo sensível para muitas famílias moçambicanas, daí a necessidade de fazermos algo baseado no seu poder de compra. Actualmente, os celulares são produzidos na China devido ao baixo custo de produção na Ásia. No entanto, temos o sonho de abrir uma unidade de montagem de celulares no parque da Maluana. Com esta unidade montada em Moçambique, os preços dos celulares irão baixar ainda mais e a vantagem competitiva dos nossos produtos está no preço, garantia de 1 ano para além de seguro mobile, primeiro e único em Moçambique, graças a uma parceria com a empresa de seguros de bandeira nacional, a EMOSE. Apesar de tudo, esta área ainda tem muitos desafios devido à fuga ao fisco, assim como a pirataria. É um trabalho no qual o Governo já se encontra atento neste sector, e acreditamos que minimizados estes dois problemas, este sector tem probabilidades de registar um grande crescimento com marcas nacionais.
Qual é o modelo comercial adoptado para a BDQ Mobile? Lojas próprias, franchising ou distribuidores? Como está desenvolvida a rede de lojas? E quais são os produtos essenciais desta empresa?
O modelo de negócio da BDQ MOBILE é o franchising. Estamos no processo de abertura de lojas em todo o país sendo que as mesmas estão a ser geridas por jovens empreendedores, pois esta é a nossa política — apoiar jovens que demostrem vontade de trabalhar e que tenham noções de gestão. Actualmente, estamos em Maputo, Gaza, Sofala, Tete e Nampula. Pretendemos fechar todas as províncias até finais do primeiro semestre de 2022. A BDQ tem uma linha de oito produtos, entre os quais se destacam: celulares feature phone, smartphones, routers, smart watches, telefones sem fio assim como laptops.
Recentemente foi eleito presidente da Associação das Empresas Gráficas de Moçambique. Qual é o plano estratégico da sua equipa para o presente mandato?
Em representação da BDQ Impressão Gráfica, fui eleito presidente da AIGM (Associação dos Industriais Gráficos de Moçambique). É uma agremiação de dimensão nacional e com um mandato de cinco anos! Foi-nos confiada esta nobre missão com o objectivo de revitalizar uma associação com 21 anos de existência. Estamos conscientes das responsabilidades e da dimensão dos desafios que temos pela frente. Somos uma equipa de jovens empresários do sector, mas com o compromisso de juntamente com o Governo que, por sinal, é o nosso principal parceiro, orientarmos a indústria gráfica moçambicana rumo à sustentabilidade.
Quais são os desafios da indústria gráfica neste momento?
Há muitos desafios na nossa AIGM, pois como o slogan de campanha diz: “por uma indústria gráfica sustentável”. Para atingirmos a sustentabilidade, temos que combater muitas empresas que operam no sector intitulando-se de industriais gráficos, enquanto não o são. Gráfica é indústria, indústria é transformação, e transformação é feita com fábrica, equipamento, pessoal qualificado e leis consentâneas tendo em vista o desenvolvimento do sector.
Temos a questão da revisão do regulamento de contratação de serviços do Estado, revisão da pauta aduaneira no que concerne à importação de matéria-prima, assim como a questão da formação dos trabalhadores do sector! Estes são os desafios que nos podem levar à sustentabilidade, a médio e longo prazos.
A impressão ficou com o preço muito elevado nos últimos anos. Qual é a componente de custos que agravou e que é responsável pelo aumento do preço de impressão?
A impressão, dia após dia, vai agravando o seu preço, em particular em Moçambique, pelo facto da dependência no que diz respeito à importação de equipamentos e matérias-primas. O equipamento vem de fora, o papel e a tinta também vêm de fora. A energia está cara, actualmente, devido às revisões que têm sido feitas pelo Governo com vista a ajustar a um preço real face ao custo de produção da mesma. Estes factores são determinantes no aumento do preço! No entanto, se por um lado, a questão daimportação das matérias-primas podem ser minimizadas através da revisão da pauta aduaneira, por outro lado, a questão dos equipamentos está longe de ser resolvida, pois não produzimos equipamentos gráficos em Moçambique!









