A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) saudou a recente decisão do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 9,50% para 9,25%, considerando-a um sinal favorável para a melhoria gradual das condições de financiamento na economia, embora ainda conservadora face aos desafios enfrentados pelo sector produtivo.
A decisão do CPMO mantém inalterados os coeficientes de Reservas Obrigatórias, fixados em 29,0% para os passivos em moeda nacional e 29,5% para os passivos em moeda estrangeira. Segundo o Banco de Moçambique, a medida baseia-se nas perspectivas de manutenção da inflação em níveis baixos no médio prazo, apesar dos riscos associados às cheias recentes e ao agravamento das tensões comerciais e geopolíticas internacionais
Para a CTA, a redução da taxa MIMO cria espaço para a diminuição dos custos do crédito bancário, com potenciais benefícios para o financiamento de investimentos, reforço do capital de exploração e maior previsibilidade na gestão financeira das empresas, num contexto de recuperação económica ainda frágil.
Contudo, a confederação empresarial considera que o corte é insuficiente perante os choques económicos acumulados nos últimos anos, agravados recentemente pelos impactos das cheias, que afectaram infra-estruturas, cadeias de abastecimento e a capacidade produtiva de várias empresas, sobretudo micro, pequenas e médias.
No seu posicionamento, a CTA defende que a política monetária deve ser acompanhada por intervenções mais activas no Mercado Cambial Interbancário, nomeadamente através do aumento da injecção de divisas, de forma a aliviar a pressão cambial, reduzir os custos de importação e proporcionar maior estabilidade ao planeamento empresarial.
A organização alerta ainda para o agravamento do endividamento público interno, que continua a pressionar o mercado financeiro nacional e a limitar a capacidade dos bancos de canalizarem recursos para o sector privado, penalizando sobretudo as empresas que dependem do crédito para crescer, inovar e gerar emprego.
Neste contexto, a CTA apela à adopção de políticas macroeconómicas mais equilibradas e coordenadas, que promovam maior disponibilidade de crédito, taxas de juro mais competitivas e um ambiente financeiro favorável ao investimento produtivo, condição que considera essencial para uma retoma sustentável da economia moçambicana.








