ExxonMobil reforça participação de empresas moçambicanas no Rovuma LNG

A ExxonMobil reafirmou o compromisso de integrar empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento do projecto Rovuma LNG, numa altura em que o megaprojecto de gás natural liquefeito, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, entra numa fase de maior preparação para a Decisão Final de Investimento (FID), esperada ainda este ano.

A garantia foi transmitida em Julho por Lauren Glushik, representante da ExxonMobil, durante um encontro com empresários em Cabo Delgado. Segundo a responsável, serão promovidos regularmente eventos destinados a fornecedores nacionais à medida que o projecto avance, com o objectivo de assegurar uma participação ampla das empresas interessadas na cadeia de abastecimento.

“O desenvolvimento das empresas moçambicanas será essencial para o sucesso do projecto Rovuma LNG”, afirmou Lauren Glushik, defendendo uma maior participação nacional na cadeia de fornecimento.

A estratégia de conteúdo local poderá abrir oportunidades para empresas nacionais em áreas como fornecimento de bens e serviços, logística, transporte, engenharia, construção, manutenção, segurança, alimentação e outros serviços de apoio à indústria de petróleo e gás.

O compromisso surge num momento de aceleração dos preparativos do Rovuma LNG. Em Agosto, a ExxonMobil anunciou a atribuição de cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para determinados equipamentos associados à primeira fase do projecto. A medida foi descrita pela empresa como um marco significativo no avanço do empreendimento.

O projecto prevê duas unidades de liquefacção com capacidade conjunta de aproximadamente 18 milhões de toneladas de GNL por ano. A ExxonMobil Moçambique lidera a construção e futura operação do Rovuma LNG, mantendo uma participação indirecta de 25% na Área 4.

Outro passo relevante foi a assinatura, no início de Agosto, de uma Carta de Intenções entre a ExxonMobil Moçambique e a joint venture SMDC, liderada pela Saipem e integrada pela McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation. O acordo prevê actividades preliminares de engenharia e procurement, avaliadas inicialmente em 32 milhões de dólares, estando o contrato definitivo dependente da FID e das aprovações governamentais e regulatórias.

Para as empresas moçambicanas, a entrada do projecto numa fase mais avançada representa uma oportunidade para se posicionarem antecipadamente. A ExxonMobil já disponibiliza mecanismos de manifestação de interesse para empresas qualificadas e tem defendido o conteúdo local como componente importante dos benefícios económicos associados ao desenvolvimento do gás.

A aposta na capacitação nacional também está a materializar-se através do Centro Tecnológico de Moçambique, em construção no Zimpeto, Maputo, com um investimento de 40 milhões de dólares dos parceiros do Rovuma LNG. O centro deverá formar cerca de 250 pessoas por dia e contribuir para a preparação de uma força de trabalho moçambicana especializada para responder às necessidades da indústria de GNL. A construção foi adjudicada à empresa moçambicana 7 Mares, constituindo igualmente um exemplo de participação empresarial nacional.

Com a aproximação da FID e a intensificação dos trabalhos preparatórios, o desafio passa agora por transformar o compromisso com o conteúdo local em contratos, competências e oportunidades concretas para as empresas nacionais. Para o sector privado moçambicano, a capacidade de cumprir padrões internacionais de qualidade, segurança, financiamento e certificação poderá ser determinante para converter a dimensão do Rovuma LNG em benefícios duradouros para a economia nacional.

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