Rovuma LNG Aproxima-se da FID e Pode Desbloquear Milhares de Milhões em Investimento

A ExxonMobil está a acelerar os preparativos para uma decisão que poderá marcar uma nova fase no desenvolvimento da indústria de gás natural em Moçambique. A multinacional norte-americana reafirmou que pretende tomar ainda este ano a Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A indicação foi transmitida esta semana durante um encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o presidente da ExxonMobil para Upstream, Dan Ammann, realizado em Maputo. Segundo a Presidência da República, as conversações estiveram centradas nos próximos passos necessários para levar o projecto à decisão final de investimento.

A presidente da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, classificou o encontro como “muito produtivo” e afirmou que foram discutidas as formas de avançar com o projecto para que a FID seja tomada ainda em 2026.

“Houve muita discussão sobre como vamos avançar com o projecto do Rovuma para termos uma Decisão Final de Investimento este ano”, afirmou Johanna Boothey.

A declaração surge depois de vários anos de preparação, atrasos e revisão do conceito de desenvolvimento do projecto. Em Maio, o Instituto Nacional de Petróleo (INP) confirmou que estava a avaliar a proposta de emenda ao Plano de Desenvolvimento do Rovuma LNG, submetida pelos parceiros da Área 4. A aprovação dessa emenda constitui uma etapa importante antes da FID.

O projecto prevê a produção, liquefacção e exportação de gás natural extraído dos recursos da Área 4. A versão actualizada do conceito contempla 12 módulos de liquefacção, com capacidade total anunciada pela ExxonMobil de cerca de 18 milhões de toneladas de GNL por ano.

Investimento e receitas

A dimensão financeira do Rovuma LNG coloca o projecto entre os maiores investimentos privados previstos para Moçambique. Em Maio, o director-geral da ExxonMobil Moçambique, Arne Gibbs, indicou que a decisão de investimento era esperada para o segundo semestre de 2026 e que o projecto poderia gerar até 150 mil milhões de dólares em receitas para o Estado moçambicano ao longo de 30 anos.

Para o Governo, a concretização do projecto representa uma oportunidade para aumentar as receitas públicas, criar emprego e desenvolver fornecedores nacionais. Esses potenciais benefícios também estiveram no centro da reunião entre a ExxonMobil e o Presidente da República.

“Foi uma discussão muito produtiva sobre os benefícios deste megaprojecto para Moçambique, em termos de oportunidades de emprego, projectos sociais que serão empreendidos e todos os benefícios que virão em termos de receitas adicionais para Moçambique”, declarou Boothey.

A FID assume, por isso, uma importância que ultrapassa o sector energético. Uma decisão positiva deverá permitir a mobilização definitiva de capital para a construção das infra-estruturas, abrindo espaço para contratos de engenharia, construção, fornecimento de equipamentos e serviços, bem como para uma maior participação de empresas moçambicanas na cadeia de valor.

Projecto entra numa fase decisiva

Outro sinal de avanço foi a recente selecção do consórcio SMDC, constituído pela Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para trabalhos de engenharia, procurement e construção das instalações midstream do projecto. A contratação aproxima o empreendimento da fase de execução, embora a mobilização integral do investimento continue dependente da FID.

A ExxonMobil havia já indicado que o projecto entrara numa fase decisiva. Em Abril, a empresa submeteu ao Governo uma versão actualizada do plano de desenvolvimento, enquanto o processo técnico e regulatório avançava sob coordenação do INP.

O projecto esteve condicionado durante vários anos pela situação de segurança em Cabo Delgado. A declaração de força maior que afectava o Rovuma LNG foi levantada pela ExxonMobil em 2025, permitindo a retoma de passos fundamentais para a preparação da FID.

Para Moçambique, a decisão que a ExxonMobil pretende tomar ainda este ano poderá representar o início de uma nova etapa na monetização das reservas de gás da Bacia do Rovuma. Caso a FID seja efectivamente aprovada, o país poderá assistir à mobilização de um dos maiores volumes de investimento privado da sua história, com efeitos esperados sobre as receitas públicas, emprego, conteúdo local e desenvolvimento de infra-estruturas.

A expectativa é, por isso, elevada. Depois de anos de incerteza, o Rovuma LNG aproxima-se finalmente do momento em que a intenção de investir terá de ser convertida numa decisão concreta de capital.

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