A província de Inhambane prepara-se para reforçar a sua posição como um dos principais destinos turísticos de Moçambique, com a criação de uma Zona Especial para o Turismo de Golfe (ZETG), uma iniciativa que pretende atrair investimento nacional e estrangeiro, diversificar a oferta turística e posicionar o país no segmento internacional de turismo de elevado valor acrescentado.
A medida foi formalizada através do Decreto n.º 56/2026, publicado no Boletim da República de 9 de Setembro, que estabelece o enquadramento da ZETG Inhambane e define mecanismos específicos para facilitar a implementação de projectos ligados ao golfe e às actividades económicas associadas.
A zona abrange inicialmente os distritos de Vilankulo, Inhassoro, Massinga, Jangamo, Zavala e Govuro, podendo posteriormente ser estendida a outras áreas da província por decisão do Governo. A intenção é criar um espaço integrado capaz de combinar infra-estruturas desportivas, hotelaria, imobiliário turístico, lazer, restauração, conferências e actividades náuticas.
Entre os incentivos previstos encontram-se o acesso a áreas de terra reservadas para empreendimentos, mecanismos de apoio ao investimento privado, incentivos fiscais e não fiscais e um regime prioritário para o repatriamento de dividendos. O modelo procura reduzir barreiras à entrada e tornar a província mais competitiva na captação de capital destinado a grandes projectos turísticos.
O novo enquadramento prevê igualmente a criação do Fundo de Desenvolvimento do Turismo de Golfe (FDTG), destinado a apoiar investimentos em infra-estruturas, formação técnica, realização de eventos nacionais e internacionais e programas comunitários dirigidos aos jovens. O fundo poderá ainda financiar iniciativas relacionadas com sustentabilidade ambiental e promoção do conteúdo local.
A estratégia não se limita à construção de campos de golfe. O diploma considera elegíveis projectos como academias e centros de treino, empreendimentos turísticos e residenciais associados à modalidade, centros de conferências, instalações náuticas, torneios internacionais e programas de turismo desportivo. Desta forma, o Governo procura desenvolver uma cadeia de valor mais ampla em torno do turismo de golfe.
A gestão da ZETG ficará sob responsabilidade da Agência Nacional para o Desenvolvimento Integrado do Turismo (ANDITUR), em coordenação com o Conselho Executivo Provincial de Inhambane e outras entidades governamentais. A agência terá, entre outras funções, a promoção das oportunidades de investimento, o apoio aos promotores e a identificação de soluções de financiamento para projectos aprovados.
A aposta no golfe surge no âmbito de uma estratégia mais ampla para transformar Inhambane na capital e polo do desenvolvimento turístico de Moçambique. A decisão havia sido anunciada pelo Presidente da República durante o Mozambique Tourism Summit 2025, juntamente com outras medidas destinadas a aumentar a capacidade de atracção de investimento e melhorar a competitividade do sector turístico.
Para o Governo, o turismo de golfe representa uma oportunidade de diversificação económica, promoção internacional e atracção de segmentos de visitantes com maior capacidade de consumo. A fundamentação da proposta da ZETG destaca ainda o potencial do golfe para gerar emprego, desenvolver competências técnicas, estimular o investimento privado e prolongar a actividade turística para além dos períodos tradicionais de maior procura.
A dimensão da oportunidade também pode ser observada em projectos turísticos já identificados na província. O projecto integrado de Inhassoro, por exemplo, contempla hotéis, villas, chalets, campo de golfe, marina e centro comercial numa área de cerca de 2.750 hectares, com um investimento potencial estimado em 200 milhões de dólares.
Com a criação da ZETG, Inhambane passa assim a dispor de um quadro institucional específico para transformar o golfe numa âncora de desenvolvimento turístico e económico. O desafio será agora converter os incentivos previstos em projectos concretos, garantindo infra-estruturas, qualificação da mão-de-obra, participação das empresas nacionais e sustentabilidade ambiental.
A nova zona poderá, deste modo, abrir espaço para uma nova geração de investimentos em hotelaria, imobiliário, transportes, serviços, entretenimento e economia azul, reforçando a ligação entre turismo, investimento privado e desenvolvimento local.










