A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vai investir cerca de 138 milhões de euros na segunda fase da duplicação da Linha de Ressano Garcia, um dos mais importantes corredores logísticos da África Austral. O projecto deverá aumentar significativamente a capacidade de transporte de mercadorias entre Moçambique, África do Sul e os países do hinterland, consolidando o papel estratégico do Porto de Maputo no comércio regional.
O investimento integra um amplo programa de modernização das infra-estruturas ferroviárias nacionais e resulta de uma parceria financeira entre os CFM, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e a União Europeia. O financiamento global do projecto ronda os 166 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 138 milhões de euros.
A nova fase da empreitada contempla a conclusão da duplicação dos troços ainda em falta da Linha de Ressano Garcia, que liga o Porto de Maputo à fronteira com a África do Sul, permitindo aumentar a capacidade de circulação ferroviária e reduzir os constrangimentos operacionais registados nos últimos anos. Segundo os CFM, a modernização permitirá elevar a capacidade de transporte de carga dos actuais 19 milhões para cerca de 49 milhões de toneladas por ano.
O Presidente do Conselho de Administração dos CFM, Agostinho Langa, considera que o projecto representa um passo decisivo para o fortalecimento da competitividade logística do país. A melhoria da capacidade ferroviária deverá responder ao crescente volume de exportações de minérios e produtos industriais provenientes de Moçambique, África do Sul, Zimbabwe e Botswana.
A Linha de Ressano Garcia constitui o principal corredor de transporte de carga do sistema ferroviário sul de Moçambique e serve de ligação directa ao Porto de Maputo, uma infra-estrutura que tem registado crescimento contínuo no manuseamento de mercadorias. A expansão ferroviária é vista como fundamental para garantir maior eficiência logística, reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade do corredor face a outras rotas da região.
O investimento enquadra-se igualmente na estratégia do Governo para robustecer o sistema ferroviário nacional. Até 2030, Moçambique prevê aplicar cerca de 193 milhões de euros em projectos de duplicação de linhas férreas, aquisição de locomotivas, carruagens e vagões destinados ao transporte de passageiros e mercadorias. Entre as prioridades figura precisamente a conclusão da duplicação da Linha de Ressano Garcia e o reforço dos meios circulantes dos CFM.
Além do impacto directo sobre a movimentação de carga, especialistas apontam que a modernização do corredor poderá impulsionar novos investimentos industriais ao longo da rota, criar empregos e fortalecer a integração económica regional. A expectativa é que o aumento da capacidade ferroviária reduza a pressão sobre as estradas, contribua para a diminuição dos custos logísticos e aumente a atracção do Porto de Maputo como porta de entrada e saída para os mercados da África Austral.
Com o arranque das obras previsto para este ano, os CFM apostam numa transformação estrutural do principal eixo ferroviário do sul do país, consolidando Moçambique como um dos mais relevantes corredores logísticos do continente africano.










