FACIM 2026: Arranca com 3.150 Expositores e Mira Novos Negócios

A 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) abre hoje as portas, em Ricatla, distrito de Marracuene, com uma dimensão que reforça o seu estatuto como principal plataforma multissectorial de negócios e promoção de investimento em Moçambique. O certame decorre até 6 de Setembro sob o lema “Transformação Digital e Energética Rumo a uma Economia Sustentável”, reunindo 3.150 expositores, dos quais 2.500 nacionais e 650 estrangeiros, provenientes de cerca de 30 países.

A dimensão da participação coloca, contudo, um desafio maior à organização e às empresas: fazer com que a FACIM seja mais do que uma grande montra comercial e consiga converter a elevada concentração de empresas, investidores e compradores em contratos, parcerias, exportações e decisões de investimento.

A Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), entidade responsável pela organização da feira, posiciona a FACIM como uma plataforma destinada a internacionalizar a economia moçambicana, promover a produção nacional para exportação, estimular investimento e aproximar empresas nacionais de parceiros estrangeiros.

Brasil assume estatuto de País de Honra

Entre os elementos de destaque desta edição está a participação do Brasil como País de Honra, enquanto a província do Niassa assume o estatuto de Província de Honra. A escolha brasileira acrescenta uma dimensão estratégica à feira, particularmente num contexto em que Moçambique procura ampliar mercados, atrair capital e desenvolver cadeias de valor nacionais.

A participação internacional deverá permitir às empresas moçambicanas estabelecer contactos com potenciais compradores, fornecedores, investidores e parceiros tecnológicos, numa altura em que a diversificação das exportações permanece uma das prioridades da economia.

A FACIM prevê ainda a participação das 11 províncias moçambicanas, reforçando o objectivo de apresentar uma visão mais abrangente das oportunidades económicas existentes fora dos principais centros urbanos.

Agricultura, indústria e tecnologia no centro da agenda

A edição de 2026 procura igualmente acompanhar algumas das transformações estruturais que estão a marcar a economia moçambicana.

Entre os espaços temáticos encontram-se pavilhões dedicados à Agricultura e Pescas, às Exportações, ao sector das Comunicações e Transformação Digital e ao Exporta Moz. A organização pretende, desta forma, aproximar produtores, financiadores e mercados e dar maior visibilidade à capacidade produtiva nacional.

A aposta na transformação digital e energética também coloca a FACIM no centro de debates sobre competitividade empresarial. Para as empresas, a digitalização já não representa apenas uma questão tecnológica: está directamente relacionada com produtividade, acesso a mercados, eficiência operacional e capacidade de competir regionalmente.

O mesmo acontece com a transição energética, particularmente num país com elevado potencial de geração de energia e com projectos de grande dimensão em sectores como gás natural, electricidade, indústria e mineração.

Da exposição à concretização

A principal questão económica desta FACIM será, por isso, saber quanto dos contactos estabelecidos durante os sete dias se transformará em actividade económica efectiva.

A experiência recente mostra que existe potencial para isso. Segundo dados divulgados pela imprensa nacional, a edição de 2025 resultou na assinatura de 811 acordos de negócios e investimentos, contra 729 em 2024, representando um crescimento de cerca de 11,2%.

O indicador é relevante porque desloca a avaliação da feira do número de visitantes ou stands para uma métrica mais importante para o sector privado: o valor económico gerado pelas relações empresariais estabelecidas no recinto.

Nesse sentido, as bolsas de contacto, encontros empresariais e seminários assumem particular importância. A agenda oficial prevê sessões destinadas a facilitar parcerias e discutir oportunidades de acesso a mercados como os Estados Unidos, União Europeia e região da SADC.

Para uma economia que procura aumentar a produção interna e reduzir a dependência das importações, estes mecanismos podem ser decisivos para aproximar empresas nacionais de mercados, financiamento e tecnologia.

Mais de 55 mil visitantes esperados

A organização prevê cerca de 55 mil visitantes durante o certame, o que representa também um impacto económico directo para a província de Maputo e, particularmente, para o distrito de Marracuene.

A movimentação de empresários, delegações estrangeiras e visitantes deverá beneficiar sectores como hotelaria, restauração, transportes, logística e comércio. A preparação da feira gera ainda actividade temporária associada à montagem de stands, segurança, serviços técnicos e outros trabalhos de apoio.

Mas, para o sector empresarial, o verdadeiro impacto da FACIM deverá ser medido para além dos sete dias de exposição.

O teste da internacionalização

A grande oportunidade da FACIM 2026 está na possibilidade de transformar a concentração de empresas nacionais e estrangeiras numa plataforma permanente de internacionalização.

Para Moçambique, isso significa passar de uma lógica de exposição de produtos para uma estratégia de integração em cadeias regionais e globais de valor. Para as empresas nacionais, significa chegar à feira preparadas para apresentar produtos competitivos, capacidade de fornecimento, certificações, preços e condições de exportação.

É precisamente nesse ponto que a dimensão da FACIM deixa de ser apenas uma estatística.

Com 3.150 expositores e dezenas de países representados, a feira já possui escala para funcionar como uma plataforma internacional de negócios. O desafio será garantir que essa escala se traduza em contratos, investimento, transferência de tecnologia, novos mercados e maior participação das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento.

A FACIM 2026 abre, assim, não apenas como uma montra da economia nacional, mas como um teste à capacidade de Moçambique transformar oportunidades de contacto em resultados empresariais concretos.

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