A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) lançou, na cidade de Maputo, o “Observatório Doing Business” (DBO), uma nova ferramenta estratégica que pretende reforçar a participação do sector privado e melhorar o ambiente de negócios no país, com enfoque no conteúdo local.
A iniciativa foi apresentada durante o “Encontro com Stakeholders de Conteúdo Local”, que reuniu representantes do Governo, operadores do sector de petróleo e gás, parceiros institucionais e empresários, num esforço conjunto para estruturar melhor o diálogo público-privado e torná-lo mais baseado em evidências.
Desenvolvido através do Bureau de Conteúdo Local (BCL) da CTA, em parceria com a Câmara de Comércio Suíço-Moçambicana, o observatório surge como um mecanismo de recolha, organização e análise contínua de experiências empresariais. A CTA, que representa mais de 150 associações empresariais no país, pretende com esta plataforma consolidar dados concretos sobre os desafios enfrentados pelas empresas, transformando-os em informação estruturada.
O DBO funcionará como um canal permanente de interação com stakeholders, permitindo captar experiências relacionadas com processos administrativos, ambiente regulatório, acesso a serviços públicos e interacção com instituições estatais, incluindo ministérios, reguladores e municípios.
Diferente de outros instrumentos, o observatório não terá como função propor directamente políticas públicas. O seu papel será identificar padrões, sistematizar constrangimentos recorrentes e produzir relatórios regulares que possam apoiar o posicionamento institucional da CTA.
A criação deste mecanismo surge num contexto em que o ambiente de negócios em Moçambique continua a enfrentar desafios estruturais, como burocracia, morosidade administrativa, instabilidade regulatória e limitações no acesso a serviços essenciais.
O lançamento do DBO reforça também a aposta da CTA na promoção do conteúdo local, especialmente em sectores estratégicos como energia, mineração, infra-estruturas e indústria transformadora. A instituição defende que uma maior integração de empresas nacionais nas cadeias de valor dos grandes projectos pode impulsionar o emprego, acelerar a industrialização e aumentar a retenção de riqueza no país.
Neste contexto, o observatório permitirá monitorar, de forma mais sistemática, o grau de participação das empresas locais e identificar barreiras que limitam o seu envolvimento.
Com a implementação do DBO, a CTA espera fortalecer o diálogo público-privado, tornando-o mais técnico e orientado por dados concretos. A consolidação de evidências deverá contribuir para um ambiente de negócios mais previsível, transparente e eficiente, factores considerados essenciais para atrair investimento e dinamizar a economia.
“As empresas e outros stakeholders são convidados a participar com experiências, recomendações e boas práticas”, refere a organização, sublinhando que a participação activa do sector privado será determinante para o sucesso da iniciativa.












