A economia moçambicana em 2017 e as perspectivas para 2018

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Audrey Gortana, Directora do Club NF

“É tempo de começar uma nova fase”

“Moçambique tem um grande potencial para o desenvolvimento e é tempo de começar uma nova fase na economia do país investindo nos recursos minerais, hídricos, agrícolas, e sobretudo no capital humano, condição sine- qua-none para o crescimento e desenvolvimento de qualquer Estado”.

“Por exemplo, nós, no Clube de Negócios França Moçambique, desempenhamos o papel de apoio operacional que visa prestar assistência às empresas num ambiente de negócios complicado, caracterizado por muita burocracia e inúmeras dificuldades administrativas. O nosso papel é de explicar aos prospectores como fazer negócios aqui em Moçambique, indicar as instituições chave e os melhores contactos por forma a garantir o avanço do dossier de investimento, bem como acompanhar as ofertas de concursos públicos e privados, no país, e transmiti-los a nossa base de contactos”.

Luís Mucave, CEO da MOZINDICO

“Há esforços para tirar a economia da incerteza”

“A economia, em 2017, foi assolada por vários fenómenos, com destaque para as ‘dívidas ocultas’, que ainda estão por esclarecer, e pela instabilidade política.

Mas notamos que há esforços que estão a ser levados a cabo para tirar o país da incerteza. Porém, temos de olhar para este contexto como uma oportunidade para fazer reformas profundas na economia. É verdade que isso pode significar apertos para muitos, mas em três ou quatro anos havemos de ver os resultados.

Veja que neste momento apostamos num modelo em que o metical ombreia com o dólar e está virado para as importações. Mas o ideal seria desvalorizar a moeda e privilegiar a produção interna, com vista a estimular as exportações”.

Rui Rocha, Société Générale Moçambique

“Acreditamos no mercado moçambicano”

“A economia como um todo está a enfrentar dificuldades que se arrastam desde o ano passado, 2017. O Estado enfrenta obstáculos e as empresas, que têm o sector público como seu principal cliente, estão de rastos. Para o primeiro trimestre de 2018, pelo menos com base no que temos ouvidos dos nossos parceiros, não haverá mudanças significativas. Por isso, nós, como indústria bancária, procuramos ser conservadores na nossa forma de actuar no mercado. Afinal de contas, num contexto de incertezas, é preciso ter cautela. Mas é importante notar que, contrariamente ao que acontece com parte importante das empresas, estamos a investir fortemente em Moçambique. Recentemente, decidimos aumentar o nosso capital em 944 milhões de meticais. Este é um sinal inequívoco do nosso cometimento com o mercado moçambicano. Neste contexto, este ano esperamos expandir a nossa rede de balcões para seis unidades, o que exigirá um esforço financeiro tremendo”.

 

Inocêncio Paulino, Presidente da APME

“A certificação de qualidade das PME é prioritária”

“As PME’s só começam a se interessar pela certificação quando lhes é exigida, ou quando pretendem fornecer os seus produtos e serviços a multinacionais, pois é uma condição de acesso a este nicho de mercado”.

“Portanto, para o bom desempenho dos negócios das PME’s é preciso que continuemos a disseminar mais a informação sobre a importância e o valor da certificação. E é mais importante ainda saber que, quando se tem um selo de qualidade, a empresa fica mais exposta e isso ajuda a abrir novos mercados”.

Ricardo Nhanzilo, gestor

“Não antevejo melhoria”

“Quando pretendemos avaliar
o desempenho da economia
em 2017 e perspectivar o
ano de 2018, há dois aspectos
que temos de ter em conta,
nomeadamente a retirada do
apoio ao Orçamento do Estado
e o clima de certeza a nível
político-militar. Por um lado, a
retirada do apoio orçamental
fragilizou a actuação do Estado
em várias áreas económicas
e sociais. Por outro, enquanto
não tivermos uma decisão definitiva
em relação à crise político-
militar, dificilmente o país
voltará a merecer confiança
do grande capital, mesmo de
alguns empresários chineses,
que andam muito receosos.

Ou seja, temos de atacar os
elementos que foram o motor
do fraco desempenho da economia
em 2017”.

Armando Langa, despachante aduaneiro

“Queremos que 2018 seja melhor”

“O ano passado foi atípico e 2018 começou com chuvas torrenciais mas, mesmo assim, esperamos que seja melhor.

Muitas empresas não aguentaram com o rumo da economia no ano passado, mas todas esperam por um desempenho positivo em 2018.

Para o sector do caju, por exemplo, no qual trabalho, 2017 não foi de todo mau.

Tivemos um desempenho assinalável, mas este ano não começou bem, principalmente na zona sul”.

 

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