Não imaginávamos que houvesse tanta aceitação

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Pedro e Joyce Antunes analisam o percurso da Clínica CoopVet

Localizada na cidade de Maputo, a CoopVet é uma clínica criada para oferecer serviços de cirurgia e exames veterinários. Em conversa com a revista ‘Negócios’, os proprietários e veterinários, o casal Pedro e Joyce Antunes, confessam, num tom alegre e descontraído, que não imaginavam tamanha aceitação em três anos de existência. Aliás, a equipa não esperava que, em três anos de existência da Clínica, houvesse tantos pacientes que precisassem de cirurgia bem como animais vindos de outros pontos do país. 

 

 

Do Brasil para Moçambique 

 

Antes de montarem o negócio no país, em Janeiro de 2018, o casal morava no Brasil. “Conhecemo-nos no interior de São Paulo, em Botucatu, uma cidade universitária, onde fica a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP”, disse Pedro Antunes, prosseguindo assim: “A Joyce acabou por se formar e fomos iniciar a vida profissional em Curitiba”. No começo, e como casal que formam, era difícil partilhar o mesmo ambiente de trabalho. Hoje, explica Joyce Antunes: “a gente faz uma parceria muito saudável. Cada um respeita o espaço e a opinião do outro. E com o passar dos anos fomos criando um vínculo cada vez mais forte”. Sobre os desafios enfrentados, os médicos veterinários Pedro Antunes e Joyce Antunes não têm dúvida de que a administração foi o mais difícil.

 

O modus operandi do negócio 

 

A CoopVet é uma clínica veterinária que dá suporte a outras clínicas, focando a sua atenção nos exames e nas cirúrgicas. Segundo explica a veterinária Joyce Antunes, a empresa trabalha “em parceria com clínicas e alguns veterinários que fazem atendimento domiciliar”, sendo que recentemente, devido à demanda, conta com o serviço de atendimento específico para gatos. Ao todo, que serviços são oferecidos? “Cirurgia geral, especificamente ortopédica. Odontologia e exames que incluem ecografias, raio X e laboratório. Na parte do laboratório trabalhamos em parceria com a empresa Joaquim Chaves, para onde enviamos as nossas amostras”, respondeu Pedro Antunes.

 

‘Vets on the road’ visa combater a raiva

 

Há dois anos, o casal decidiu apostar num projecto filantrópico denominado ‘Vets on the road’, com o objectivo de combater a raiva por meio da vacinação e esterilização de animais. Joyce Antunes explica que o mais importante é a vacinação. Para ela, é preciso ter, no mínimo, 75% da população canina vacinada para controlar a raiva. “Infelizmente, estamos muito longe deste número”, lamenta. E acrescenta: “Hoje, quando se tem uma campanha de vacinação, já que existem muitos cães se reproduzindo, seis meses depois a população mudou completamente. O nosso trabalho é mostrar à população as vantagens de ter um cão esterilizado, porque o cão não sai de casa à procura de uma fémea e protege mais a casa, passando a ser um companheiro melhor e facilitando todos os cuidados em termos de saúde”.

Segundo o veterinário Pedro Antunes, as técnicas cirúrgicas usadas há alguns anos nas campanhas de esterilização eram convencionais. Na ‘Vets on the road’, enfatizou, “a técnica cirúrgica usada é minimamente evasiva e o risco de cirurgia é muito baixo, razão pela qual os cães recuperam depressa”.

O casal pretende, através deste projecto, construir um hospital estudantil para albergar um centro de treinamento específico para cirurgias e execução de campanhas. “A nossa ideia é fazer com que a ‘Vets on the road’ abranja todo o território nacional. A nossa visão é ter e formar equipas em todo o país, mas para isso precisamos de apoios porque o investimento é muito alto”, explica Joyce Antunes.

 

Esterilização vs. abate

 

No entender de Joyce Antunes, a esterilização é o procedimento mais adequado ao combate à raiva. “Há anos, o procedimento-padrão usado para o fazer o controlo populacional era o abate de animais. Hoje, já se sabe que não existe uma acção satisfatória quando se faz o abate”, defende a médica veterinária. E explica porquê: “o animal que está na rua vai atrás de comida. Se está aí é porque de alguma forma tem comida. A partir do momento em que se retira o animal daquele espaço, outro animal vai ocupar o mesmo espaço”. Não obstante as vantagens em termos de saúde pública, conta a médica, no início não foi fácil convencer as pessoas. Contudo, a partir do momento em que a população percebe, através da sensibilização, que é vantajoso tanto para o animal como para o proprietário fazer a esterilização, mais pessoas começam a aderir à prática. “A gente não faz nada de forma forçada”, explica. Prova disso tem sido a recepção feita pelas populações da Ponta do Ouro e da cidade do Xai-Xai, onde os ‘Vets on the Road’ já operaram com o apoio financeiro de organismos e particulares daquelas localidades. Aliás, uma das organizações que intervém na iniciativa é a AWI – Animal Welfare Ilha, onde a médica veterinária Sara Grosso, que se encontra sediada na Ilha de Moçambique, tem vindo a contribuir com o seu ‘expertise’ em cirurgias do género.

‘Bottom line’, o chamamento da ‘Vets on the Road’ tem vindo a ser feito em algumas localidades e as reacções não se fazem esperar, com a presença tanto de adultos como de crianças que levam os seus ‘pets’ aos pontos de encontro com o intuito de os esterilizarem. Uma acção, sem dúvida, a continuar com a boa vontade de todos e o apoio de fundos internacionais para o efeito.