MERCADO IMOBILIÁRIO

0 155

- Publicidades -


É preciso estabelecer regras para as imobiliárias.


O sector imobiliário em Moçambique regista um grande crescimento nos últimos anos, a avaliar pela quantidade de imóveis erguidos a cada dia. Para falar dos contornos deste sector, convidamos a empresária Elsa Santos, uma profissional que conta com 40 anos de experiência na área, 10 dos quais adquiridos em Portugal, e que é fundadora e directora geral da Investe Imóvel, empresa que opera na área de arrendamento e mediação de imóveis.


Qual é o core business da Investe Imóvel?


O core business da Investe Imóvel consiste na mediação entre o cliente que procura arrendar imóveis e o proprietário do imóvel. Ou seja, 80 % do meu trabalho consiste no arrendamento, reabilitação, modernização e posterior subarrendamento de imóveis pertencentes a proprietários que não possuem capacidade financeira para os manter ou que não os estão a ocupar por algum motivo. Trata-se de um trabalho personalizado para ambas as partes, tanto na mediação de arrendamentos, como na mediação para a compra imóveis para investimentos.


Essa reabilitação consiste em transformar apartamentos antigos em termos de canalização, instalação eléctrica e toda a modernização, transformando-os de acordo com o que os clientes procuram. Para o efeito, contratamos empresas que prestam bons serviços e trabalhos de qualidade, com garantia de assistência e manutenção, sempre que necessário.


Fazemos igualmente consultoria para projectos de construção, no sentido informar sobre as tendências dos imóveis, principalmente quando se trata de investidores estrangeiros. E isso acontece no que concerne ao tipo de acabamentos ou tipologias mais rentáveis, entre outros pormenores que são diferentes dos que existem em outros locais do mundo.


Ainda na área imobiliária, trabalhamos com uma Guest House e apartamentos mobilados, equipados e com todos os serviços para um curto espaço de tempo. Ou seja, o cliente que vem por poucos meses, ou por algumas semanas – para fazer um determinado trabalho -encontra uma oferta à sua medida porque procuramos dentro dos nossos apartamentos reabilitados e mobilados fazer um arrendamento de curta duração que permita que este tipo de cliente não esteja sempre no hotel.


Que preços são praticados no arrendamento das casas e no subarrendamento após a reabilitação das mesmas?


Acordamos uma renda com o proprietário da casa que vai ser reabilitada, desde o início. Um valor que seja contínuo e que garanta um rendimento que para que ele não venha a passar sufocos, mas que ao mesmo tempo também não nos sufoque, de maneira a que possamos reaver o dinheiro investido nas obras e no mobiliário. E tudo acontece de acordo com a satisfação do cliente.


De momento, temos cerca de 10 imóveis reabilitados e um em reabilitação. Todos existem para fins de arrendamento para um tipo de clientes que vem a Moçambique trabalhar para organizações não-governamentais internacionais e outras organizações do género, ou seja, neste caso, quadros médios e expatriados que vêm trabalhar e que podem pagar a renda na ordem dos 120 mil a 180 mil meticais, usufruindo de casas modernas e em perfeitas condições.


Os business centres fazem igualmente parte do seu leque de acções. Fale-nos deste negócio. Qual tem sido a sua evolução?    


Contamos com dois business centres (o Maputo Business Centre e o Polana Business Centre), ambos equipados com móveis, electricidade, internet, segurança física e digital, entre outros. São edifícios arrendados, reabilitados, modernizados por nós, aos quais fazemos posteriormente o subarrendamento. A ideia inicial era apoiar o cliente que chegasse a Moçambique, a começar o seu projecto de forma estável e com menos gastos e ir crescendo gradualmente. Portanto, propomo-nos a prestar um serviço personalizado, oferecendo o acompanhamento aos clientes que chegam e que não conhecem os hábitos e costumes da cidade. Contudo, os mesmos quando se sentem ambientados e com alguma estabilidade procuram naturalmente os seus próprios escritórios.


Num passado recente, os business centres ficavam lotados, mas agora já não é assim pois há muita concorrência e o mercado imobiliário regista neste momento uma depreciação. Mas acredito que isto é passageiro. Em breve, haverá novamente uma grande procura de escritórios e voltaremos a estar lotados. E, para além dos business centres, mediamos também o arrendamento de edifícios para escritórios, moradias, etc.


Já pensou em expandir os seus serviços para outras cidades do país? 


Prestamos apoio na área imobiliária em algumas províncias, principalmente em Cabo-Delgado, na cidade de Pemba, e temo-lo feito ao ritmo do crescimento da própria província. Quando há procura dos nossos serviços em outras cidades como a Beira ou em outro local, temos os contactos de profissionais que dão apoio nesta matéria, e no local. Isto não é fácil, porque expandir o horizonte, abrir novos escritórios, requer necessariamente grandes investimentos.


Na sua opinião, o que os moçambicanos podem esperar do mercado imobiliário em 2020? Será um bom ano para fazer investimentos no sector?   


Aconselho todos os moçambicanos que tenham uma casa bem situada, que façam as modernizações necessárias, principalmente na parte eléctrica, canalização, de modo a que o imóvel esteja de acordo com o que se procura actualmente. As casas do tempo colonial têm mais de 45 anos e os sistemas de canalização e electricidade, bem como os lay outs dos lavabos e cozinhas estão obsoletos, criam humidade e outras situações desconfortáveis para a saúde. Portanto, é preciso rever os telhados, canalizações, electricidade e modernizar. Se não sabem como fazê-lo, que busquem informação até mesmo nas revistas de decoração e assim podem ver as tendências actuais.


O mercado está repleto de mediadores de imóveis que deixam muito a desejar quanto ao seu conhecimento de mercado e noções da profissão. Na sua opinião, qual deve ser o perfil de um gestor ou mediador de imóveis?


Estamos a precisar de formar estes supostos mediadores de imóveis, para que se possam enquadrar. Estamos no processo de criar uma associação, e daí poderemos criar condições de formar os mediadores para que possam adquirir conhecimentos sobre as regras da própria mediação e para que deixem de actuar apenas por questões de sobrevivência ou por falta de emprego e não corram o risco de denegrir a classe.


Isto acontece um pouco por todo o país e em todas as áreas. Mas se conseguirmos legalizar a associação, podemos regularizar e ajudar muitas das pessoas que estão interessadas, mesmo porque para trabalhar nesta área é preciso gostar, uma vez que não há um salário fixo, vive-se de comissões e tem que se trabalhar muito para conseguir uma garantia mensal de retorno.


Não existe em Moçambique uma instituição que forme nesta área imobiliária e há muitas lacunas legais sobre esta matéria. A associação seria o primeiro passo no sentido de dar apoio e educar sobre as taxas e impostos no sector, o que seria útil não só para o proprietário do imóvel mas também para quem o está a arrendar.  


Sente-se ameaçada por esse tipo de concorrentes?


É uma concorrência muito desleal uma vez que a maior parte são operadores informais. Em contrapartida, nós pagamos os impostos, temos custos fixos (água, luz, trabalhadores, advogado). Mas não posso dizer que nos sentimos ameaçados porque trabalhamos por referências. Ou seja, o cliente que procura os nossos serviços surge por recomendação de alguém que já os conhece e que gosta da forma como actuamos. Portanto, não nos podemos queixar.  


Que mensagem deixa aos profissionais do sector imobiliário em Moçambique e para os que sonham em seguir a carreira de corretor de imóveis?   


O negócio para ser bom tem de ser bom para ambas partes. Portanto, temos que ser muito correctos e sinceros perante os clientes e esta é a base para uma boa mediação, saber o que as partes precisam e encontrar um ponto comum de entendimento. Por outro lado, gostaria que houvesse mais carinho por esta área e que o Governo estabelecesse regras para as imobiliárias e para os agentes imobiliários… e que haja lugar para todos.   

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.