O economista norte-americano Jeffrey Sachs, professor e diretor do Center for Sustainable Development da Columbia University, afirmou que Moçambique tem potencial para alcançar o estatuto de economia desenvolvida nas próximas décadas, caso mantenha uma trajetória consistente de reformas estruturais, investimento em capital humano e boa governação.
A declaração foi feita à margem de encontros institucionais em Maputo, onde Sachs sublinhou que o país dispõe de “ativos estratégicos raros”, incluindo abundância de recursos naturais, posição geográfica privilegiada e uma população jovem. Segundo o economista, estes fatores, combinados com políticas adequadas, podem sustentar um ciclo prolongado de crescimento económico inclusivo.
“Moçambique possui fundamentos que muitos países hoje desenvolvidos não tinham na mesma fase histórica. O desafio central é transformar recursos em desenvolvimento sustentável, com foco em educação, saúde, infraestruturas e instituições fortes”, referiu.
Sachs apontou o gás natural liquefeito (GNL), os minerais críticos e o potencial hidroelétrico como motores capazes de acelerar a industrialização e gerar receitas fiscais significativas, alertando, contudo, para a importância de mecanismos transparentes de gestão dessas receitas. “A história mostra que recursos podem ser uma bênção ou uma armadilha. A diferença está na governação, na diversificação económica e na capacidade de investir no futuro.”
Analistas económicos nacionais consideram a avaliação “realista, mas exigente”, sublinhando que o potencial identificado depende de estabilidade macroeconómica, previsibilidade regulatória e melhoria do ambiente de negócios. Representantes do setor privado defendem que a perspetiva reforça a necessidade de acelerar reformas que reduzam custos operacionais, facilitem o acesso ao financiamento e fortaleçam cadeias de valor locais.
Embora evite fixar prazos rígidos, Sachs enfatizou que o desenvolvimento económico é um processo cumulativo. “Décadas podem parecer longas, mas em termos de transformação estrutural são horizontes normais”, concluiu. A previsão surge num contexto em que Moçambique procura consolidar a recuperação económica, atrair investimento estrangeiro direto e diversificar a base produtiva, em particular nos setores de energia, agricultura e indústria transformadora.










