Galp espera ser o maior contribuinte de investimento directo português em Moçambique

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A Galp é uma empresa integrada de energia, de capitais essencialmente portugueses que opera em Moçambique há mais de 60 anos. Paulo Varela, CEO da Galp Moçambique, fala sobre as actividades, investimentos, desafios e responsabilidades da Galp no País, que considera um mercado estratégico para o grupo. 


A Galp é um grupo presente em Moçambique desde 1957. Quais são os interesses em que se focaliza no país?


Moçambique é um mercado estratégico para a Galp. A presença mais visível da Galp na vida quotidiana dos moçambicanos é, sem dúvida, por via da distribuição de combustíveis e gás doméstico através de uma rede de distribuição com mais de 60 postos que cobre todas as províncias do país. É uma área em que continuamos a investir, nomeadamente ao nível das grandes infraestruturas logísticas, com destaque para dois novos parques em construção e que irão em breve entrar em funcionamento, um já este ano, na Matola, outro na Beira, em 2021.


Ao todo, com a conclusão dos referidos parques, teremos investido cerca de 150 milhões de dólares na expansão da logística e da rede de retalho da Galp em Moçambique. Mas o maior impacto das nossas atividades para o desenvolvimento da sociedade moçambicana provirá dos enormes investimentos já em curso na execução dos grandes projectos de gás natural no offshore da bacia do Rovuma. A Galp detém 10% do projecto da Área 4, cuja produção arranca em 2022 e deverá prolongar-se por várias décadas, representando uma enorme oportunidade de transformação do país, da sua economia e do seu desenvolvimento humano e social.


Sendo uma empresa de capitais fundamentalmente portugueses, qual é a contribuição da Galp no investimento directo português em Moçambique?


Dada a natureza e dimensão das nossas atividades em Moçambique, a Galp será, com elevado grau de certeza, o maior contribuinte para a IDE de empresas portuguesas em Moçambique. Nos últimos 10 anos, o nosso investimento total terá sido muito próximo dos 600 milhões de euros. Prevê-se que os próximos anos sejam anos de continuidade no investimento neste mercado, o que diz bem da aposta da GALP em Moçambique.


Que acções a Galp incorpora na Responsabilidade Social Corporativa em Moçambique?


A Galp e a sua Fundação têm um papel ativo no desenvolvimento das comunidades moçambicanas através do envolvimento do negócio em áreas-chave para o País, como a Energia e a Educação. São exemplos concretos o Projecto Energiza, que visa a instalações de centrais fotovoltaicas para electrificar, pela primeira vez, quatro comunidades rurais de Manica, Sofala, e Cabo Delgado, desenvolvido em parceria com o FUNAE (Fundo Nacional de Electrificação Rural). O projecto permite o fornecimento de energia solar limpa, onde passou a ser possível o acesso a peixe congelado e água fresca, e a electrificação de infraestruturas como bancas de comércio e unidades de saúde, como o hospital local.


‘Educar para o Futuro’ é outro projecto que, em parceria com a ONGD HELPO, impulsiona o investimento na educação e na mobilidade de mais de 11 mil crianças e jovens moçambicanos, através da atribuição de bolsas escolares, kits nutricionais e bicicletas, de forma a reduzir as longas distâncias, um dos maiores entraves à educação e ao desenvolvimento do país.


O apoio e investimento nestas comunidades é não só contínuo, mas também de emergência social, como foi o caso do apoio às vítimas do ciclone Idai, onde, em parceria com a ONGD HELPO e a Cruz Vermelha de Moçambique, foi criada uma campanha de mobilização que envolveu a empresa em todas as suas geografias na doação de bens de primeira necessidade às comunidades mais afectadas. É assim também um objectivo destes projectos o envolvimento das nossas pessoas, que se voluntariam e acompanham as variadas iniciativas locais. O investimento na comunidade, por via dos projectos mencionados, ascende a mais de 66 milhões de meticais, cerca de 940 mil euros.


Como avalia o ambiente de negócios em Moçambique?


Os últimos anos foram particularmente difíceis para a economia moçambicana, por factores de diversa ordem, agravados pelos ciclones e outros fenómenos atmosféricos extremos que causaram sérios danos materiais e pessoais em diversos pontos do País.


Neste contexto, algumas melhorias foram sendo introduzidas, nos tempos mais recentes, nomeadamente no que respeita à necessidade de rigor e transparência dos negócios, também ao nível da qualidade do quadro jurídico e legislativo. É uma tendência que vai intensificar-se à medida que os grandes investimentos forem ganhando corpo no terreno, dinamizando novos investimentos em todo o sector de serviços associados a esses projectos emblemáticos.


Existem ainda questões de segurança às quais é importante responder, sobretudo na província de Cabo Delgado, onde estes projectos se localizam. A melhor arma para combater a insegurança, em qualquer parte do mundo, é o progresso económico e social das populações que estes projectos irão alavancar. 

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