EDUCAÇÃO FINANCEIRA

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O que não sabes sobre os bancos?

As escolas não ensinam tudo, e mesmo que quisessem, não conseguiriam ensinar tudo o que um ser humano precisaria para viver seguro numa sociedade dinâmica e em mutação constante. E mesmo que hipoteticamente ensinassem, ninguém teria a capacidade e nem tempo suficiente para aprender e aplicar tudo – somos mais ignorantes do que mais inteligentes somos, isto é, há e haverá sempre mais coisas que desconhecemos em comparação com as que conhecemos; há e haverá sempre mais coisas que menos dominamos em comparação com as que dominamos; há e haverá sempre áreas de conhecimentos que não sabemos em comparação com as que sabemos. Para a maioria da população, a “educação financeira como foco da educação bancária” faz parte destas áreas de especialidade sobre as quais pouco se sabe.

Educação bancária é um dos pilares ou áreas da educação financeira que, infelizmente, várias vezes, se confunde com a própria educação financeira – fazendo-se da parte o todo. A educação bancária comporta o modelo de negócio bancário, o quadro legal nacional e internacional, conceitos especiais da área bancária, operações e serviços exclusivos do sector bancário, bem como factores (internos e externos) que directamente influenciam a filosofia da necessidade de comprar, guardar, vender e movimentar dinheiro e seus derivados directos. E como ninguém consegue viver, pelo menos filosoficamente, sem dinheiro, a educação bancária deve fazer parte da educação do indivíduo, exercício este que contrariamente as escolas não ensinam, ficando o desafio para a sociedade.

Outra vez, a senhora Online Mafunda entrou pela agência bancária adentro, toda aflita e, sem tempo a perder, queria falar directamente com o gerente do balcão, porque afinal estava em jogo a vida do senhor seu marido que acabara de sofrer um AVC e precisava urgentemente de ser submetido a uma intervenção cirúrgica de especialidade, numa das clinicas da cidade onde horas antes foi levado, à velocidade da luz. O pior acontecera até ao momento, porque a doméstica, televendo uma destas novelas mexicanas, aprendeu a detectar os primeiros sinais de um AVC, um aprendizado que foi bastante útil para salvar, até então, a vida do senhor Mafunda, um dos assinantes da conta juntamente com a senhora a sua esposa.

O gerente bancário, um jovem de família humilde mas bastante culto, de fato escuro e gravata burgundi, como mandam as tradições no sector financeiro, manteve sempre a sua calma administrativa consigo, durante os poucos mais de vinte e sete minutos que já decorriam na tentativa de explicar educadamente a Sra. Online, que na ausência da segunda assinatura que obrigava conjuntamente a conta de depósito à ordem, mesmo na situação de morte eminente de um dos assinantes, era impossível e quase ilegal que ela sozinha efectuasse qualquer mexida na conta, levantamento em dinheiro, ou qualquer outra movimentação na conta. Este exemplo de caso não é isolado, várias vezes temos escolhido um tipo de conta (produtos ou serviço bancários, depósitos aos empréstimos) sem informação prévia dos riscos e ganhos a ela associados. O que justificaria um casal optar por uma conta conjunta ou solidária? O que justificaria trocar a opção de cada um dos assinantes ter o poder singular de movimentar isoladamente a conta? A resposta depende também do que sabemos sobre os bancos, concretamente da informação e conhecimentos que temos sobre os produtos e serviço bancários que pretendemos usar.

Defendemos a necessidade da sociedade se preocupar com a educação bancária e não necessariamente com a formação bancária, sendo que a primeira é mais prática, direccionada aos desafios do quotidiano do cidadão, independentemente da sua classe económica e social (alta, média ou baixa). E a segunda, formação bancária, mais interessa aos educandos e profissionais do sector financeiro ou áreas afins. Como explica e defende Murray N. Rothbard, no seu livro O manifesto Libertário, por uma nova liberdade (2013:144): “Uma falácia crucial dos defensores da escola na classe média é a confusão entre a instrução e educação em geral. Educação é um processo vitalício de aprendizado, e o aprendizado não ocorre apenas na escola, mas em todos os campos da vida”. Mas onde e como tu obténs a tua educação bancária? Se fores maior de idade, esse questão é quase que obrigatória, sob o risco de estares a perder dinheiro ou a não explorar as oportunidades que passam despercebidas com diferentes serviços e produtos bancários do mercado. Informação é poder e dinheiro, onde recebemos ou entregamos, ganhamos ou perdemos.

Mas morrerá a culpa solteira se algo de pior aconteceu ao senhor Mafunda porque a sua co-assinante foi impedida legalmente de levantar os valores de que precisavam para a cirurgia? Algumas vezes, tem havido exagero na determinação e gestão de assinantes de uma conta de depósitos (corrente, poupança, salário e a prazo). Os clientes devem saber que uma conta pode ter diferentes assinantes, e podem decidir como a conta será movimentada, mantendo a lógica geral, uma movimentação controlada, segura, mas ao mesmo tempo, também flexível, principalmente se falamos de conta corrente (seja ela conta conjunta, solidária ou mista, de pessoas físicas ou colectivas). Como fazer com que o cliente leia os termos e condições, mas acima de todo a compreenda de forma rápida e simples os diferentes termos técnicos e jurídicos?

Ao mergulharmos nas questões especificamente do sector bancário, devemos antes saber como nele mergulhamos, quem somos perante o sistema bancário: Estado, Investidores, Clientes, Empreendedores, Empresários, Funcionários ou Candidatos a funcionários? Porque cada um destes grupos irá buscar e defender interesses específicos, fazendo com que o interesse da educação bancária seja diversificado como um todo. Mas seja como for, existem quatro pilares básicos que devem ser conhecidos por todos, quiçá dominados os seus produtos e serviços: Activos (tipo de Créditos), Passivos (tipo de contas de Depósitos), Canais (tipo e formas de Conexões) e Operações gerais (Transacções e benefícios extras).

O facto de sermos clientes bancários não significa que dominamos ou conhecemos os produtos e serviços bancários. Uma das maiores revoluções dos seres humanos foi o descobrimento da ignorância, quando reconhecemos que não sabemos tudo, abrimos caminhos para a busca do desconhecido, em qualquer área do conhecimento e da vida. Além de ser uma responsabilidade do Banco Central, dos bancos comerciais e das demais instituições financeiras, deve também haver por parte do próprio cliente o interesse na busca de informação e conhecimentos bancários de base.

A falha na interpretação de juros de depósitos a prazo, quando os bancos anunciam e publicitam taxa de Juros anual, e os clientes compreendem como taxas de juros mensais; a dificuldade eterna no cálculo de prestação constante no pagamento de um empréstimo bancário; a busca incansável de produtos e serviços financeiros inexistentes no nosso mercado, como juros compostos, criptomoedas e uma bolsa diária dinâmica; a desconsideração do ciclo e forma de reembolso do limite do cartão de crédito (cartão de crédito versus de débito, pré-pago e misto), o que leva o mesmo a ser utilizado como se fosse um crédito ao consumo com prestações mensais; utilização de canais mais caros quando temos opções mais baratas e flexíveis para o mesmo serviço ou produto; o desconhecimento das diferenças legais e práticas dos tipos de empréstimos bancários (consumo, viatura, habitação, negócio, leasing, factoring, etc.), representam alguns exemplos dos desafios práticos que podem merecer explicações detalhadas e simples aos actuais e futuros potenciais clientes.

Várias vezes, por falta de conhecimento e de informação, clientes do sistema financeiro têm optado por serviços mais caros, mais morosos e mais complexos, quando temos nos mercados os mesmos serviços bancários disponíveis de forma mais célere, segura e barata (em linguagem comercial da moda: mais competitivos). Tal cenário não é restrito às famílias de renda baixa, o mesmo acontece para as famílias das classes média e alta, por isso, com mais informação e conhecimento sobre o sector bancário podemos todos poupar mais: poupar mais tempo, dinheiro, esforço físico e mental, tirando mais benefícios dos serviços e produtos que os bancos oferecem. Mas o que não sabes sobre os bancos?

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