Consenso, renúncia e luto

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O mês de Fevereiro deste ano foi rico em acontecimentos de registo histórico relevante. Por exemplo, Filipe Jacinto Nyusi, Presidente do partido Frelimo e da República de Moçambique, e Afonso Dhlakama, presidente do partido Renamo, chegaram a entendimento sobre a descentralização do Estado, no âmbito do diálogo que vêm mantendo para uma paz efectiva em Moçambique.

O Presidente da República já submeteu, inclusive, à Assembleia da República, o documento sobre os consensos alcançados, o que implicará uma revisão pontual da Constituição da República e de outras leis e, assim, garantir a sua exequibilidade.

Sobre este assunto, a revista “Negócios” prefere deixar que as coisas aconteçam para depois saber melhor posicionar-se, por razões óbvias. Primeiro porque estes não são os primeiros consensos com Dhlakama, o qual sempre encontrou forma de denunciá- los, geralmente depois das eleições, se os resultados não forem a seu favor.

Segundo porque o documento não descreve com detalhe as contrapartidas e os prazos que Dhlakama deu para Nyusi confiar na palavra dele. Igualmente, a Assembleia da República ainda não se reuniu. Também não falamos agora do facto de o povo moçambicano não ter sido consultado para se alterar a Constituição.

Deixamos essa tarefa de dar forma legal aos consensos aos legisladores. Enquanto isso, na vizinha África do Sul, Jacob Zuma renunciou ao cargo de Presidente da República e em sua substituição o Parlamento confi rmou Matamela Cyril Ramaphosa como novo chefe de Estado.

Sobre este facto, elogiamos o alto nível de disciplina partidária e alinhamento político do partido ANC, pois conseguiu evitar moções de censura da Assembleia da República e humilhações, e resolveu o assunto a nível interno, e vimos no dia da decisão membros do ANC festejarem a forma como este processo foi conduzido, e não a saída de Zuma. Este caso assemelha-se à saída de Mugabe, pela forma heróica como foi tratado.

Nestas matérias, há lições a tirar por outros partidos da região. No país amigo e também vizinho Zimbabwe, morreu Morgan Richard Tsvangirai, líder do maior partido da oposição (MDC) e antigo primeiro- ministro. À família Tsvangirai, ao povo amigo do Zimbabwe, a revista “Negócios” apresenta as mais sentidas condolências.

O finado deixa um grande legado de luta pela democracia, com a partilha de poder. Aqui perdeu o povo zimbabweano. Para esta edição, entre outras matérias, demos maior enfoque ao percurso económico do país. Para o efeito, ouvimos várias opiniões sobre o desempenho económico em 2017 e as perspectivas para este ano, tema, aliás, discutido no “Café Negócios”.

Também iniciamos reportagens sobre o perfi l de negócios na Província de Sofala e trazemos opiniões sobre matérias de actualidade como o papel ridículo do FMI, o ABC de bitcoin e educação financeira. Porém, Destacamos a entrevista de fundo sobre um dos mais antigos hotéis da cidade de Maputo. Apresentamos uma outra entrevista sobre o sector agricola, que na visão do governo, é a base do desenvolvimento.

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