Moçambique quer certificar 25 PME

Desde finais de 2017 que 25 pequenas e médias empresas (PME) nacionais estão a implementar um sistema de gestão e de produção com o objectivo de obter certificações de qualidade. Com duração de dois anos, o programa está a ser implementado pela Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME). Estas informações foram avançadas por Inocêncio Paulino, presidente da APME, durante o “Café Negócios”, no dia 6 de Fevereiro, no Hotel Pestana Rovuma, com o tema “Reflexão e avaliação da economia do país em 2017 e perspectivas para 2018”.

Inocêncio Paulino, presidente da APME

O programa de certifi cações das PME surge da necessidade que o país tem de possuir empresas certificadas, num contexto em que apenas cerca de 40 empresas possuem este tipo de selos. “As PME’s só começam a se interessar pela certifi cação quando lhes é exigida, ou quando pretendem fornecer os seus produtos e serviços a multinacionais, pois é uma condição de acesso a este nicho de mercado”, apontou Paulino.

Entre as razões para o baixo nível de certificação, o presidente da APME aponta a falta de conhecimento da existência de certificações e dos diferentes selos de qualidade que estão associados, os custos que o processo acarreta e a transparência na gestão e na produção das empresas como uma componente exigida para que se ganhe um selo. “É preciso que continuemos a disseminar mais a informação sobre a importância e o valor da certifi cação. E é mais importante ainda saber que, quando se tem um selo de qualidade, a empresa está mais exposta e isso ajuda a abrir novos mercados”, garantiu Paulino.

As certificações são requeridas a entidades internacionais, sendo por isso que são tão custosas, afirmou Paulino, que recomendou as empresas a desenvolverem esforços com vista a obter, primeiro, o selo “Made in Mozambique”. “Temos de assegurar que toda a empresa que tenha este selo esteja próxima de se comparar a nível daquilo que é exigido de outros selos semelhantes. Esse é um trabalho que o Governo tem de desenvolver. Nós como empresários devemos continuar a fazer o nosso trabalho de pressionar para que este selo seja efectivamente de grande valor.”

Quando foi criada, em 2015, a APME tinha 113 empresas como membros. Actualmente possui 463 empresas. “Houve um crescimento acima do normal se compararmos com a dinâmica de outras associações empresariais do país.

Hoje temos a APME como a mais representativa do sector privado, com a particularidade de que incluímos todos: micros, pequenas e médias empresas”, assegurou Paulino, convidando mais empresas para se juntarem à associação:

“Há um conjunto de oportunidades que estamos a colocar à disposição dos empresários, desde a formação, acesso ao financiamento, a certificação, entre outras soluções.”